AGU recorre de decisão que suspendeu ação da PF em reserva

STF determinou na quarta que ações para retirar não-índios da Raposa Serra do Sol fossem suspensas até 2ª

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2008 | 14h59

A Advocacia Geral da União (AGU) recorreu nesta quinta-feira, 10,  contra decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a suspensão de qualquer ação de retirada de não-índios da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. A íntegra da ação cautelar da AGU ainda não foi divulgada, mas um dos argumentos é o risco de confronto, desta vez com os índios.   Veja também: PF suspende desocupação na Raposa Serra do Sol até segunda Galeria de fotos da Raposa Serra do Sol Assista à entrevista de Roldão Arruda, enviado especial à região  ENQUETE: Os produtores rurais devem ser retirados da reserva indígena?  Saiba onde fica a reserva e entenda o conflito na região      De acordo com o comunicado, o ministro da Justiça, Tarso Genro, manifestou preocupação com a reação dos 18 mil índios da região, que aguardavam o cumprimento dos efeitos da demarcação. A pasta diz ter recebido nesta quarta-feira, 9, por meio da PF, uma proposta de um número significativo de posseiros não-índios para a desocupação pacífica das terras até segunda-feira, 14. O ministério pretende analisar a proposta "no momento oportuno dada à suspensão determinada pelo STF".     Até a suspensão da operação da Polícia Federal na reserva indígena, o conflito era com os não-índios, especialmente produtores de arroz, que se recusam a deixar a área ocupada. O governo, agora, está preocupado com a reação dos índios.   O ministro relator da ação cautelar do governo de Roraima, que pedia a suspensão da retirada dos não-índios, Carlos Ayres Britto, disse que os ministros do STF levaram em conta "o estado de aparente conflagração" na região. A suspensão da retirada foi decidida por unanimidade pelos ministros do Supremo.   Ayres Britto lembrou que havia "expectativa de confrontação física, com uso de armas". O ministro será também o relator da ação cautelar da AGU.        

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