AGU pede à Justiça que Curió entregue dados sobre Araguaia

Petição convoca o major a prestar esclarecimentos sobre arquivos que podem ajudar nas buscas por ossadas

Gustavo Uribe, da Agência Estado,

03 de julho de 2009 | 15h01

A Advocacia Geral da União (AGU) entrou no fim da tarde de quinta-feira, 2, com pedido de intimação na Justiça de Brasília do tenente-coronel da reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura, mais conhecido como major Curió. A ação tem como objetivo pressionar o oficial a entregar ao poder público documentos de que teria posse relativos à guerrilha do Araguaia.

 

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A petição foi entregue à juíza da 1ª Vara Federal de Brasília Solange Salgado e convoca o major a prestar esclarecimentos sobre possíveis arquivos de seu acervo pessoal que podem ajudar na busca de restos mortais de integrantes do movimento guerrilheiro adeptos da luta armada contra o regime militar.

 

Curió, que agiu durante o regime militar (1964-1985) e atuou na repressão contra a guerrilha, guarda há 32 anos uma maleta com documentos que confirmam a execução de adversários da ditadura nas bases das Forças Armadas na Amazônia, dados abertos com exclusividade ao Estado.

 

De acordo com o procurador regional que entrou com o pedido na Justiça, Manuel de Medeiros Dantas, as informações que supostamente estariam em posse de Curió podem ser decisivas para esclarecer o incidente que vitimou membros da guerrilha.

 

"A oitiva é de crucial importância para que a sociedade brasileira saiba dos fatos ocorridos na região, inclusive de fatos que a própria União não tem registros oficiais", explicou. "Assim, para que se possa saber a real extensão do que se tem noticiado, até então, é importante que se tenha acesso a todo o tipo de informação", completou.

 

Execuções

 

Reportagem do Estado mostrou que ao menos 16 novos casos de execuções de membros ou envolvidos na guerrilha são comprovados pelos documentos de Curió. Até a abertura dos arquivos, eram conhecidos apenas 25 casos de execução. O arquivo ainda revela que as mortes de prisioneiros representam 61% do total de baixas na coluna guerrilheira, o que contraria a versão militar de que os mortos empunhavam armas quando foram mortos.

 

No mês passado, o ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que a Comissão de Anistia e a Secretaria de Direitos Humanos entrariam em contato com Curió para colher informações novas sobre o caso. "Nós vamos procurar o contato com o Curió para que nos facilite o trabalho de anistia para o povo da região (Araguaia) que foi atingido por aqueles acontecimentos."

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