Agripino diz que agirá para Lula fugir do autoritarismo

Candidato do PFL à presidência do Senado, o líder do partido, senador José Agripino (RN), disse nesta quinta-feira que uma das metas da sua gestão, se for eleito, é a de fazer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "fugir" da tentação autoritária que teria sido adotada pelos presidentes da Venezuela, Bolívia e Equador. Segundo Agripino, o objetivo só pode ser alcançado com um Congresso forte e independente, movido por parlamentares interessados em debater questões importantes para o desenvolvimento do País. "Um Congresso desvalorizado gera mensalão e sanguessugas, além de estimular a tentação autoritária dos governantes", afirmou.O líder pefelista citou como exemplo o presidente Hugo Chávez, da Venezuela, "que está prestes a arrancar do Congresso uma emenda que vai-lhe assegurar a possibilidade da reeleição perpétua".No entender de Agripino, o atual presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), candidato à reeleição e aliado do governo, não é o melhor nome para evitar eventuais excesso da parte do presidente Lula. O senador disse que não tem a intenção de confrontar o governo, e sim a de ajudá-lo a "prevenir" abusos.Agripino citou o excesso de medidas provisórias (MPs) como exemplo da tentativa do Executivo de usurpar prerrogativas do Congresso. "A maior parte delas não tem urgência nem relevância", acusou, referindo-se às duas principais características exigidas para que uma MP tramite no Congresso. De acordo com mapeamento do Senado, as propostas originárias do governo representam 51% das 110 matérias aprovadas no Senado em 2006. Desse total, 15% foram medidas provisórias, 21%, projetos de lei, e 15%, projetos de conversão originários de MPs. Candidatura tardiaAgripino afirmou que o fato de seu partido apoiar a candidatura do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) na disputa pela presidência da Câmara - e não a do tucano Gustavo Fruet (PR) - não provocará retaliação do PSDB à sua candidatura para presidir o Senado. Segundo ele, como seu partido não fechou questão sobre o assunto, é certo que Fruet terá votos também dos pefelistas. Agripino disse que o tucano provavelmente seria o preferido de seus colegas deputados se a sua candidatura tivesse sido lançada há mais tempo e não há apenas três dias. "O PFL está fechado com Aldo tanto quanto possível, (mas) o partido está aberto", disse Agripino. Para ele, o apoio do PFL a Rebelo precisa ser mantido, para viabilizar o segundo turno. "Mas não há questão fechada, e Fruet, Aldo Rebelo e o líder Rodrigo Maia (PFL-RJ) sabem disso." Este texto foi ampliado às 21h09

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