Agricultores invadem banco no Pará em busca de crédito

Cerca de 100 trabalhadores rurais ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf) invadiram e ocuparam nesta segunda-feira a agência do Banco da Amazônia (Basa) em Redenção, no sul do Pará. Eles exigem a liberação de 600 créditos do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), engavetados no banco há dezoito meses. O total de recursos retidos, segundo o coordenador da Fetraf no Estado, Raimundo Nonato Coelho de Souza, alcança R$ 10 milhões. Souza disse que os agricultores cansaram de esperar pela liberação do dinheiro, por isso decidiram ocupar o banco, obrigando os funcionários a suspender o expediente. "Nós só deixaremos o local quando o Basa cumprir sua obrigação de depositar o dinheiro na conta dos trabalhadores", prometeu o líder da entidade. Os invasores, assentados na região, ocuparam a sala da gerência, os corredores e a área de atendimento ao público. Um funcionário do banco informou que o problema será resolvido pela direção do Basa em Belém. A Fetraf tenta identificar a responsabilidade pelo atraso no pagamento dos créditos, mas já tem informações de que isso estaria ocorrendo por culpa do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Brasília. "Alguém terá de explicar esse absurdo. Faz um ano e meio que os agricultores não vêem a cor do dinheiro", criticou o diretor de Política Fundiária da Fetraf no sul do Pará, Pedro Alcântara. Ele anunciou que pelo menos outros 500 trabalhadores iriam engrossar o movimento. "O pessoal de outros assentamentos está vindo para cá de caminhão, trator, o que puder arrumar, para também cobrar seus direitos", resumiu Alcântara.

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