Agricultores do Pará fecham estrada e cobram promessas

Cerca de 300 agricultores de assentamentos em Anapu que eram liderados pela missionária Dorothy Stang, assassinada em fevereiro do ano passado por pistoleiros, fecharam no último sábado um trecho da rodovia Transamazônica à altura da ponte sobre o rio Anapu. Eles pedem a presença de representantes do governo federal para negociar uma pauta cobrando escolas, postos de saúde e melhoria das estradas que dão acesso aos Projetos de Desenvolvimento Sustentado (PDS) criados por Stang. As promessas do governo foram feitas logo depois da morte da freira. O acesso à ponte foi bloqueado com toras de madeira. Somente veículos que estiverem transportando doentes em estado grave têm permissão para passar pelo local. Os motoristas reclamam que não podem descarregar seus caminhões com alimentos, gás e gado em municípios vizinhos. "Tive de desviar por um caminho cheio de buracos e quebrei o carro. Assim não dá. Levei seis dias para chegar ao Pará e vou voltar carregado de prejuízos", desabafava por telefone, no começo da tarde, o motorista catarinense Paulo Fernandes de Bastos. O coordenador da Polícia Rodoviária Federal de Altamira, Caetano Rocha, informou que muitos caminhoneiros preferem se arriscar por atalhos para retornar à Transamazônica e seguir viagem a permanecer parados na estrada sem saber quando ela será liberada. A direção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de Altamira telefonou para Anapu, a 320 km, informando que técnicos do órgão iriam ao final da tarde para negociar a pauta de reivindicações com os agricultores.

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