Agricultores bloqueiam acesso à Receita Federal no RS

Manifestantes ligados à Via Campesina bloquearam o acesso ao prédio da Receita Federal em Porto Alegre, hoje, para pressionar o governo federal a unificar as dívidas dos pequenos agricultores e assentados da reforma agrária, abater parte do valor delas e alongar o prazo de pagamento do saldo para 15 anos.

ELDER OGLIARI, Agência Estado

18 de maio de 2011 | 18h10

Como os cerca de 3 mil participantes do ato permaneceram no pátio do edifício durante a maior parte do dia, o atendimento da Receita Federal ao público foi suspenso. No final da tarde de hoje, a Justiça concedeu reintegração de posse ao Ministério da Fazenda e determinou que os agricultores saíssem do local até o início da noite.

Ao mesmo tempo, outros manifestantes, ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul) foram às ruas e se reuniram diante das agências do Banco do Brasil em Passo Fundo, Fontoura Xavier, Três Passos, Ipê, Sarandi, São Lourenço do Sul, Erechim e São José do Ouro, no interior do Rio Grande do Sul, para apresentar reivindicações semelhantes às da Via Campesina.

Eles também querem unificação das dívidas, mas propõe prazo de dez anos para o pagamento dos valores consolidados, anistia dos créditos emergenciais concedidos durante a estiagem de 2008/2009 e opção pela conversão dos débitos em prestação de serviços ambientais. O banco reconheceu que as manifestações causaram alguns transtornos aos seus clientes, mas informou que não houve suspensão do expediente.

Arrozeiros

Em Uruguaiana, no oeste do Rio Grande do Sul, os produtores de arroz encerraram durante a manhã de hoje a manifestação que haviam iniciado ontem. O protesto reuniu pelo menos 3 mil pessoas e durante algum tempo manteve a ponte entre o Brasil e a Argentina bloqueada.

Os agricultores querem que o governo suspenda as importações de arroz do Mercosul e adote medidas para enxugar o mercado e elevar o preço do produto. Alegam que a cotação de R$ 19 pela saca de 50 quilos não paga o custo de produção, estimado em R$ 29, e está distante do preço mínimo de R$ 25. Líderes do movimento disseram que os produtores poderão organizar manifestações maiores caso não recebem respostas nos próximos dias.

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