Agricultor prevê mortes em reserva

Governador propôs ontem a arrozeiros plano de retirada, que foi rejeitado; ação da PF pode ocorrer nesta semana

Loide Gomes, BOA VISTA, O Estadao de S.Paulo

09 de abril de 2008 | 00h00

A operação de retirada de não-índios da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, pode ocorrer esta semana. Segundo o governador Anchieta Júnior (PSDB), o prazo foi dado pelos delegados da Polícia Federal que comandam a ação, em reunião realizada na noite de segunda-feira, no Palácio Hélio Campos, sede do Executivo estadual.O delegado Fernando Segóvia, que coordena a operação, não negou nem confirmou o prazo. Disse apenas que vai negociar o tempo que for preciso para que a retirada seja pacífica. "Mas a operação é inevitável. Somente uma ordem judicial poderá suspendê-la", afirmou.A reunião ocorreu a pedido do governador, que tenta uma saída pacífica para o conflito. Anchieta Júnior entrou na segunda-feira com ação no Supremo Tribunal Federal pedindo a suspensão da operação da PF. Ontem pela manhã, ele chamou ao palácio os arrozeiros e ofereceu, sem sucesso, toda a logística necessária para retirá-los antes da entrada dos agentes federais na terra indígena."Estou sentindo que vai morrer muita gente", disse o produtor Luiz Affonso Faccio, um dos primeiros a ocupar áreas para o plantio de arroz na terra indígena, ao sair do encontro. No meio da tarde, desembarcaram em Boa Vista mais 45 homens da Força de Segurança Nacional, para completar o efetivo de 500 homens destacados para a ação. A Polícia Federal também reforçou a segurança no posto que mantém em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, alvo de tentativa de ataque na segunda-feira. O índio David Amaro da Conceição foi preso e indiciado por incitação à ordem pública, dano ao patrimônio público, sabotagem, exposição ao perigo da vida de outrem e ameaça. Ele é acusado de ter arremessado dois coquetéis molotov contra os prédios da Receita Federal e da PF e de tentar detonar um carro-bomba em Pacaraima.O delegado Segóvia disse que o acusado, apesar de indígena, não goza de privilégios. "Vou prender toda a quadrilha responsável pelos crimes cometidos na Raposa Serra do Sol, inclusive os indígenas que estiverem envolvidos", afirmou.FIM DE BLOQUEIODepois de 30 horas de bloqueio, cerca de 200 índios de cinco etnias desocuparam ontem a BR-364, principal ligação de Mato Grosso com o Centro-Oeste e o Sudeste do País. Houve congestionamentos de mais de 10 quilômetros de caminhões e carretas. Os índios permitiam apenas a passagem de ambulâncias.O impasse só foi superado com a ida de uma equipe da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Brasília ao local do bloqueio, a fim de mostrar cópia de documento revogando portaria que transferia a autonomia financeira da unidade em Cuiabá para Juína, no norte do Estado.O cacique terena Milton Rondon, que lidera o movimento, disse que os representantes das etnias retornam para suas aldeias, mas podem reiniciar os protestos caso a Funai apresente novas mudanças administrativas em Mato Grosso.COLABOROU NELSON FRANCISCO

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