Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

'Agora até fita sem perícia vale', diz Gilmar ironizando áudios da JBS

Herman, que usou depoimentos como uma das bases para seu voto, rebate: 'Veja que ele estava calmo até agora'

Breno Lemos Pires, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2017 | 11h53

Após quase duas horas sem intervenções no voto do ministro Herman Benjamin, o ministro Gilmar Mendes submergiu para falar de outro tema que não o julgamento da chapa Dilma-Temer: a falta de perícia prévia no áudio entregue pelo delator Joesley Batista, do Grupo JBS, e utilizado em investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente Michel Temer (PMDB).

Enquanto o ministro Herman Benjamin revelava um “bilhete” recebido do ministro Luiz Fux para simplificar o voto, o relator disse que Fux “fez um cálculo matemático de que levaria até 14 horas para eu ler meu voto, mas eu não confio muito porque não foi periciado o que ele disse”. Ao que o presidente do TSE retrucou.

“Perícia vale. Agora até fita sem perícia vale”, disse o ministro Gilmar Mendes.

A ausência de perícia prévia nos áudios gravados por Joesley Batista em conversas com o presidente Michel Temer, o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-deputado federal e ex-assessor especial da Presidência Rodrigo Rocha Loures (PMDB) é alvo de crítica das defesas. Os três são investigados no Supremo Tribunal Federal. Aécio Neves já é alvo de denúncia. "Homem da mala de R$ 500 mil", Rocha Loures foi preso no sábado, 3.

Herman Mendes brincou com o comentário de Gilmar Mendes. “Veja que ele (Gilmar Mendes) estava calmo até agora”, disse.

Fux, então, explicou o pedido que fez a Herman para agilizar o voto. “Foi apenas uma sugestão, não queremos que vossa excelência seja açodado”, disse.

“A sugestão de vossa excelência foi plenamente aceita. Com alguma obediência. Mas muito pouca”, disse Herman, com bom humor.

Segundo o relator, tudo isso é para revelar o grau de detalhismo da contabilidade do depto de propina da Odebrecht.

Após a brincadeira, o relator concluiu a sua argumentação de que o dinheiro da Odebrecht foi utilizado para comprar apoio de partidos com o objetivo de aumentar o tempo de TV. Para ele, há “provas oral e documental” que comprovam isso.

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