Dida Sampaio/AE
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Agnelo oferece sigilo bancário à CPI do Cachoeira

Em depoimento a deputados e parlamentares, governador do Distrito Federal diz que informações ficarão à disposição da comissão e que é alvo político do contraventor

Ricardo Brito, da Agência Estado - atualizado às 12h29

13 de junho de 2012 | 12h09

BRASÍLIA - O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), afirmou nesta quarta-feira, 13, na CPI do Cachoeira que colocará à disposição da CPI do Cachoeira seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. O petista depõe na manhã desta quarta-feira, 13, à comissão que investiga as relações do contraventor Carlinhos Cachoeira e agentes públicos. "Não posso conviver com desconfiança", afirmou. A sessão começou às 10h e está em andamento.

Na terça-feira, 12, o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, rejeitou pedido para abrir seus sigilos feito pelo relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG).

Em sua fala inicial, o governador do DF declarou que a organização comandada pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, "tramou" sua derrubada, valendo-se de "falsas acusações" feitas por veículos de comunicação. "A organização aqui investigada tramou a minha derrubada, um governo legitimamente eleito pelo povo do Distrito Federal".

Agnelo disse que sua presença na CPI é "fruto de disputa política". Segundo ele, não há nenhuma indicação de que ele tenha tomado qualquer decisão em favor de Cachoeira e da Delta Construções. Ao apresentar documentos, ele disse que o contrato para a varrição de lixo, o único contrato da empreiteira no DF, foi firmado por força de decisão judicial no governo anterior ao dele, por Rogério Rosso em dezembro de 2010.

O governador afirmou que o contrato relacionado à limpeza e coleta de lixo não estava entre aqueles para os quais foi feito pedido para não haver prorrogação porque ele ia vencer na virada daquele ano. Esse contrato tinha 52 meses de validade, com vencimento em 2015. "O objetivo claro era desgastar a imagem do governador até o limite do impossível", afirmou. Agnelo disse que não houve nenhuma nomeação de pessoas de Cachoeira para cargos-chave do governo de Brasília.

Dizendo-se vítima de uma ação orquestrada e perseguido politicamente, Agnelo afirmou que hoje compreende o motivo pelo qual o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) apresentou um pedido de impeachment contra ele, em novembro de 2011, na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Demóstenes é acusado de ser sócio oculto de Cachoeira, que atuava também em favor da Delta.

O governador do DF disse que Cachoeira também contratou, citando a investigação da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, um intermediário para influenciar uma licitação para serviços de bilhetagem para transporte público. O governo local, porém, desistiu da concorrência pública. "Como então falar de Carlos Cachoeira operando licitação no GDF? Como falar em favorecimento a Carlos Cachoeira?", questionou. "Se ele tivesse alguma ligação com o governador, precisaria contratar intermediário, lobista para chegar até uma secretaria?", disse.

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