'Agir contra a cassação é se incinerar em praça pública’, diz Henrique Fontana

Deputado do PT-RS faz crítica aos pares que tentarem adiar a votação ou aprovar pena mais branda no julgamento do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2016 | 06h00

BRASÍLIA - Mesmo após o afastamento definitivo de Dilma Rousseff, o deputado Henrique Fontana (PT-RS) considera que a cassação do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pode enfraquecer a origem do processo de impeachment. 

Fontana rechaçou comparações entre os processos dos dois e defendeu a perda dos direitos políticos de Cunha. Para o petista, deputados que tentarem adiar a votação ou aprovar uma pena mais branda vão “se incinerar em praça pública”.

Alguns deputados articulam a votação de uma pena mais branda para Cunha no lugar da cassação. O que o senhor acha disso?

É uma tentativa, mas ela não vai prosperar. Não cassar o mandato de Eduardo Cunha seria um ato de desrespeito grave contra toda a lógica que deve funcionar dentro de um Parlamento, seria uma agressão ao próprio sentimento das pessoas. Acharia um deboche com o País alguém levantar essa ideia de uma pena menor do que a cassação para um cara que cometeu o conjunto de crimes que ele cometeu. Agora, se o Parlamento quer se incinerar em praça pública, que assumam aqueles que querem isso.

Caso isso se concretize, acha que há a possibilidade de aprovação no plenário?

Acho que não tem essa possibilidade, porque, se alguém está articulando isso, não vai conseguir viabilizar a ideia dentro do plenário. Nós vamos fazer de tudo para votar entre segunda (amanhã) e terça-feira. 

A cassação de Eduardo Cunha pode ocorrer alguns dias após o impeachment de Dilma Rousseff. Considera que os dois episódios estão interligados?

Sim, porque vai ser mais uma demonstração da ilegitimidade da cassação da presidente Dilma, da injustiça que foi a cassação. Vai tornar ainda mais claro o fato de que o grande líder do processo de impeachment é um dos maiores símbolos de corrupção. 

Aliados de Cunha comparam a votação da cassação com a do impeachment para justificar a manutenção de direitos políticos.

A melhor forma de mostrar a artificialidade dessa tentativa é que a presidente Dilma não responde a um único processo, e o Eduardo Cunha, por decisão do Supremo, é réu em dois. Outro ponto é que não há na sociedade ninguém defendendo Cunha. Já Dilma possui milhões de pessoas.

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