Agentes vigiaram cunhado de Alckmin por quatro meses

Paulo César Ribeiro, cunhado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), foi seguido e espionado por agentes a serviço do Ministério Público (MP) do Estado durante quatro meses. Eles filmaram e fotografaram o lobista em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, onde ele mora. Também foi alvo do monitoramento o ex-secretário de Finanças da cidade Silvio Serrano.

AE, Agência Estado

12 de janeiro de 2011 | 11h02

Ao todo, 15 imagens ilustram o documento confidencial sobre a vigilância ao irmão de Lu Alckmin, mulher do governador, e ao ex-secretário. Em 24 de agosto, os agentes escreveram: "Conforme solicitação foram procedidas diligências na Rua Barghis Mathias, Parque Ypê, Pindamonhangaba, cadastrado em nome de Thiago César Ribeiro."

Paulão, como o cunhado de Alckmin é conhecido na cidade, mora na Rua Barghis Mathias. Thiago é um de seus filhos. "O local trata-se de uma residência e, ao lado, no número 140, existe um galpão com inscrições na parede (Velório Rede Sesolupe), cadastrado em nome de Nilton César Vieira", destaca o texto. Paulão é sócio do Cemitério Memorial da Paz.

A intenção do Ministério Público era conseguir um flagrante de encontro do lobista com Serrano. A promotoria suspeita que Ribeiro indicou Serrano para o cargo de secretário a fim de abrir as portas na administração municipal para a Verdurama, fornecedora de merenda escolar. O cunhado de Alckmin seria o elo entre a Verdurama e pelo menos 20 prefeituras. A empresa, segundo suspeita o Ministério Público, era favorecida em licitações dirigidas: em troca, teria de fazer doações para campanhas eleitorais dos prefeitos.

No fim de outubro, Serrano foi demitido do cargo de secretário de Finanças pelo prefeito João Ribeiro (PPS), pressionado pela Câmara Municipal de Pindamonhangaba. O ex-vice prefeito João Bosco Nogueira afirmou à promotoria que o lobista tinha trânsito intenso na gestão municipal desde o período de transição - embora não fizesse parte da equipe -, inclusive na secretaria comandada por Serrano.

Ligação

Serrano disse ao MP que um filho de Paulão "fazia transporte de gêneros alimentícios para a empresa Verdurama". Ele fez a revelação sobre o vínculo de um filho do lobista com a Verdurama em relato ao promotor de Justiça Leonardo Rezek Pereira. O depoimento ocorreu em 26 de novembro, quando Serrano já havia deixado a Secretaria de Finanças.

Ele negou "o recebimento de qualquer valor ilegal". Disse que conheceu Paulão durante o "período de transição da administração municipal", embora o lobista não fizesse parte da equipe. Segundo o ex-secretário, Paulão frequentava a casa do prefeito João Ribeiro, mas Serrano não soube dizer por qual motivo.

O ex-secretário admitiu "relação de amizade" com Paulão, "interrompida a pedido do atual prefeito em razão das afirmações que foram feitas por João Bosco Nogueira, então vice-prefeito". Indagado pelo promotor sobre o trânsito de Paulão em sua secretaria, Serrano negou que o lobista tenha participado de alguma reunião dos secretários.

No depoimento, Serrano disse que Paulão "tem muitos imóveis", estava com "impostos atrasados" e "queria providenciar o parcelamento do débito". O ex-secretário acreditava "ser este o motivo pelo qual ele frequentava a Secretaria de Finanças". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Tudo o que sabemos sobre:
MPinvestigaçãocunhadolobistaAlckmin

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.