Agentes da Abin fazem manifestação apoiada pela CUT

Com o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de outras entidades sindicais, os servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) fizeram nesta sexta-feira a primeira manifestação da categoria reivindicando, entre outras coisas, o fim do sub aproveitamento da atividade dos arapongas e condições salariais semelhantes a dos policiais federais. "Não temos um foco de trabalho, a política de inteligência não existe, não podemos continuar como um serviço de inteligência contemplativo e platônico", justificou o presidente da Associação dos Servidores da Abin (Asbin), Nery Kluwe de Aguiar Filho. "Estamos sendo mal utilizados e mal pagos".O lado cômico do ato, além de ter arapongas tomando lugar dos manifestantes, foram dois personagens fantasiados: um deles com capa, óculos e chapéu preto e um cartaz identificando tratar-se de um araponga e o outro, chamado de Besta-Fera, exibindo notas de Real penduradas na roupa. "Ele representa o besta-fera, com o rabo cheio de estrelas e o dinheiro na cueca", informou Kluwe.Poucos servidores enfrentaram a chuva para prestigiar o ato, realizado em frente à sede da agência. Os sindicalistas da Abin afirmam que vão repetir semanalmente o ato, até o atendimento das reivindicações tais como a regulamentação da lei que criou a Abin e o "resgate da dignidade profissional dos servidores". Na divulgação do ato, fica o aviso de que se trata de "uma manifestação histórica". Como prova da apatia da atividade, o presidente da Asbin citou a ordem do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix, a quem estão subordinados, de mandar os arapongas medirem as lâminas de água de represas quando a seca atingiu a Região Norte. "Fica aí provada que as atribuições da atividade não estão claras", protestou. O general foi alvo de uma série de críticas, entre elas a de "filtrar tudo o que é levado para o presidente Lula". Isso, segundo Kluwe, na melhor das hipóteses, quando consegue ser recebido em audiência pelo presidente, "de três em três meses e por apenas 15 minutos". O general também é um dos motivos na estrofe da marcha carnavalesca escrita especialmente para o ato. Diz a estrofe: "Cuidado com o Carcará pois o segredo ele pode revelar não fica estrela nem tucano nem general que não entre pelo cano." Assim mesmo, sem pontuação. Na opinião de Nery Kluwe, a Abin deveria abandonar "aquela mesmice militar da segurança interna" - o que ocorre, segundo ele, na tarefa de vigiar as atividades de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Para Kluwe, a Abin deve se dedicar a tarefas de maior interesse para o País. Citou como exemplo de missões hoje ignoradas que deveriam ser adotados o controle das organizações não-governamentais (ongs) na Amazônia, "como forma de impedir a biopirataria".

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