Agente da PF assassinado será enterrado nesta quinta, em Brasília

Wilton Tapajós Macedo estava envolvido na Operação Monte Carlo, responsável pela prisão do bicheiro Carlinhos Cachoeira; motivação do crime ainda é investigada

Felipe Tau, de O Estado de S.Paulo,

19 de julho de 2012 | 09h51

O enterro do policial federal Wilton Tapajós Macedo, de 54 anos, assassinado na terça-feira, 17, será realizado na manhã desta quinta-feira, 19, no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília, o mesmo local onde foi morto com dois tiros. O corpo do agente, envolvido na Operação Monte Carlo, responsável pela prisão do bicheiro Carlinhos Cachoeira, está sendo velado desde as 8h no templo dois do cemitério, informou o Sindicato dos Policiais Federais no Distrito Federal (Sindpol-DF).A entidade convidou os servidores a prestarem uma homenagem a Tapajós, comparecendo ao velório com uniforme de serviço.

Tapajós foi morto durante a tarde de terça, quando visitava o túmulo de seu  pai no mesmo cemitério onde será enterrado. De acordo com o laudo preliminar da perícia, o agente foi atingido por dois tiros de revólver calibre 38: o primeiro, na nuca, à media  distância, foi o tiro fatal, segundo a polícia; o segundo, disparado na têmpora, à queima-roupa, serviu apenas de confirmação.

As características do crime levam a polícia a considerar a hipótese de execução, mas a possibilidade de latrocínio – roubo seguido de morte – não está descartada, já que o carro do policial, um Gol, foi levado na ação.

O presidente do Sindpol-DF, Jones Leal, no cemitério desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira, em solidariedade à família de Tapajós, declarou ontem que suspeita das circunstâncias em que o crime ocorreu. "Pode ser uma série de coisas, ainda não dá para dizer com certeza o que motivou. Mas é estranho que tenham deixado a arma que estava em sua cintura". Tanto a pistola quanto a carteira do agente foram deixadas no local.

O caso está sendo investigado pelo 1º DP do Distrito Federal. Ouvidos na quarta-feira, dois cunhados e duas testemunhas do crime - entre elas um jardineiro do cemitério, que presenciou o assassinato - ajudaram a polícia compor retratos falados. A Polícia Federal também abriu inquérito e investiga paralelamente. Presente no velório, a superintendente da PF do Distrito Federal, Silvana Borges, afirmou que dois suspeitos são investigados no momento.

Monte Carlo. Com 54 anos de idade e 24 de atuação na PF, Tapajós tinha perfil de policial de ponta. Nos últimos anos, esteve vinculado à Diretoria de Inteligência da PF e teria participado da Operação Monte Carlo, embora a PF não confirme oficialmente. A operação foi iniciada em novembro de 2010,  para apurar a exploração ilegal de jogos no entorno sul do Distrito Federal.

O desmantelamento da organização criminosa levou à prisão de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e de dois delegados da PF em Goiás, além de um agente da mesma área de inteligência onde Tapajós trabalhava, em Brasília. No dia 11, o ex-senador Demóstenes Torres foi cassado por envolvimento com Cachoeira.

Tapajós militou na diretoria do Sindipol e, na última eleição, concorreu como deputado distrital pelo PTB, sendo derrotado com  apenas 188 votos.Outras autoridades ligadas à Monte Carlo já foram alvo de ameaças, como o juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima, que comandava a Operação Monte Carlo, Ele foi afastado em junho, depois de ter recebido ameaças de morte.

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