Agente da Abin admite ter coordenado grupo na Satiagraha

À CPI dos Grampos, Ribamar diz que recebeu 'ordem formal' para coordenar 75 agentes do órgão na operação

ANA PAULA SCINOCCA, Agencia Estado

03 de dezembro de 2008 | 20h18

Analista de informação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), José Ribamar Reis Guimarães confirmou hoje, em depoimento reservado à CPI dos Grampos, que coordenou um grupo de 75 agentes do órgão na operação Satiagraha, que resultou na prisão temporária do banqueiro Daniel Dantas. No relato de mais de três horas em sessão secreta, o agente afirmou ter recebido "ordem formal" de seu "mais alto escalão" para coordenar a participação de agentes para a investigação da Polícia Federal (PF), segundo relato dos deputados que ouviram o depoimento. Dos 75 agentes, disse ele, 56 trabalharam em tempo integral na operação.   Veja também:Abin vai participar de perícia de documentos apreendidos Justiça condena Dantas a dez anos, mas sem prisão imediata A íntegra da nota da defesa de Dantas  Ao condenar Dantas, juiz aproveita para se defender e cita STF Leia a íntegra da decisão do juiz De Sanctis  Pela 2ª vez, CNJ adia julgamento do juiz do caso Dantas As fases da Operação Satiagraha: o que mudou e o que fica igual As prisões de Daniel Dantas  Os alvos da Operação Satiagraha  Segundo o relato dos deputados, Guimarães contou ter recebido ordem de José Milton Campana, à época diretor-adjunto da Abin, para atuar com o delegado Protógenes Queiroz. "Os agentes da Abin foram cedidos ao Protógenes e estavam desobrigados de fazer relatórios para seus superiores diretos", disse o presidente da CPI, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), reproduzindo relato do agente da agência.Guimarães também confirmou, segundo parlamentares, a versão de outros integrantes da agência de que o então diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, tinha conhecimento da operação. Em depoimento à CPI, Lacerda negou participação formal da Abin na Satiagraha. Ele disse acreditar que a Abin decidiu recrutar um coordenador da contra-inteligência, como ele, em vez de um da área de inteligência, para evitar que a participação da agência na Satiagraha "vazasse", disseram os deputados. O agente da Abin ainda relatou aos parlamentares que foram gastos cerca de R$ 42 mil (com alimentação e aluguéis) da verba secreta da agência na Satiagraha, além de pouco mais de R$ 337 mil com diárias e passagens. A Abin alegou, por meio de sua assessoria de imprensa, que "a verba secreta é exatamente para ser empregada em questões operacionais". O presidente da Comissão disse que o depoimento de Guimarães deixou claro que a Abin não respeitou as normas de inteligência e está evidente que Lacerda "faltou com a verdade" ao depor na CPI.

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