Agenda política é adiada em Brasília

Diversos eventos previstos para hoje foram adiados em decorrência da morte do governador de São Paulo, Mário Covas. Alguns itens da agenda política poderão ser transferidos para a próxima semana, como o anúncio do Plano de Ação do Governo, principal movimento político do governo e instrumento de reorganização da base de sustentação governista. O secretário-geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira - que foi comunicado do falecimento do governador às 6 horas e se diz profundamente abalado com a notícia - segue esta manhã para o Palácio da Alvorada para acertar com o presidente Fernando Henrique Cardoso o embarque a São Paulo, para o velório do governador Mário Covas. O vácuo criado com o adiamento da agenda abre espaço para mais uma ofensiva do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) contra seu sucessor na presidência do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). A ação de ACM foi facilitada politicamente pela manifestação pública do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, que deixou explícita a possibilidade de entregar ao Ministério Público um relatório do BC sobre irregularidades supostamente praticadas por Barbalho contra o Banco do Pará (Banpará), caso o próprio Barbalho autorize a liberação do documento. O senador paraense sentiu o golpe e refugiou-se ontem em sua casa, enquanto a oposição completava o ataque de ACM ao apresentar requerimento para que o BC envie o relatório sobre Jader ao Senado.Magalhães, que já havia repetido diversas acusações a autoridades federais nas revistas semanais publicadas no fim da semana, deverá continuar enfrentando uma artilharia preparada pelos tucanos. Ontem, a defesa do governo foi feita pelo líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), e pelo secretário-geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira. Virgílio, em entrevista coletiva, classificou de "aliança espúria" a ação conjunta de Magalhães e das oposições em prol da abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar denúncias de irregularidades na área federal.Nunes Ferreira divulgou uma nota à noite rebatendo as acusações de ACM publicadas na imprensa. É a segunda vez, em menos de trinta dias, que o governo emite nota oficial defendendo-se de acusações e apresentando medidas jurídicas para apurar irregularidades.

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