Agenda negativa marca visita de Durão Barroso

Lula e presidente da Comissão Européia devem discutir deportações e barreiras comerciais

Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

19 de março de 2008 | 00h00

O esforço do presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, para acelerar a parceria estratégica entre o Brasil e o bloco europeu tenderá a ser diluído pela agenda negativa que o espera, hoje, em Brasília. Em visita oficial, Durão Barroso não terá como se esquivar de pelo menos três iniciativas da União Européia ou de Estados europeus não digeridas no Brasil: a deportação e os maus-tratos a cidadãos brasileiros por autoridades da Espanha, as barreiras impostas por Bruxelas às importações de carne bovina brasileira e a posição reticente da UE nas negociações comerciais.Um colaborador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva admite que Durão Barroso só encontrará agenda negativa. Segundo um experiente diplomata, todos os tópicos negativos da relação bilateral serão tratados na conversa entre Lula e Durão Barroso, mas ele não acredita em nenhuma declaração bombástica.No final de fevereiro, Bruxelas tentou distender a tensão provocada pela suspensão das importações de carne brasileira, sob a acusação de que o País não aplicava de forma confiável os requisitos de rastreamento do gado. Em uma guinada, decidiu reabrir as compras para 106 fazendas - uma quantidade simbólica, que não foi suficiente para superar a crise. Há dois anos, a negociação do acordo de livre comércio com o Mercosul foi paralisada em função, especialmente, da tentativa européia de diminuir a participação da carne bovina fornecida pelo bloco sul-americano em seu mercado. Na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), a UE resiste à abertura de seu mercado aos produtos agrícolas do Brasil e de outros países competitivos. No ano passado, o Brasil acumulou um superávit de US$ 15 bilhões no seu comércio agrícola com a Europa.O tópico mais crítico da agenda negativa, entretanto, diz respeito aos brasileiros impedidos de ingressar em Madri. O governo brasileiro não tem dúvidas de que as autoridades espanholas agiram de forma tosca ao aplicar a norma comum da UE para a imigração. O Itamaraty espera contornar o dilema com a Espanha em uma reunião no início da próxima semana, em Madri. Mas sabe que, para superar a crise, terá de enfrentar a máquina normativa européia.Apesar dessas pendências, Durão Barroso encontrará boa-vontade do Itamaraty e do Palácio do Planalto para tratar da cooperação na área de biocombustíveis e aprofundar o diálogo bilateral. Segundo o embaixador Everton Vargas, subsecretário de Assuntos Políticos do Itamaraty, os fatos negativos não chegaram a comprometer a relação bilateral nem a parceria estratégica UE-Brasil, firmada em 2007. O Plano de Ação dessa parceria deverá ser concluído até o final deste ano."Mesmo com o protecionismo, os problemas em Madri, as barreiras às exportações, a paralisação da negociação do acordo com o Mercosul, temos interesse em conversar com a UE sobre várias áreas", afirmou.

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