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Agenda na mesa

Amanhã a presidente Dilma Rousseff volta do merecido descanso depois da estafante campanha eleitoral, retomando o expediente no Palácio do Planalto e junto com ele - é de se imaginar - o bom senso. Ao menos esse foi o tom de suas palavras nos primeiros dias após a vitória.

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2014 | 02h01

Duas delas receberam especial destaque - diálogo e união - embora não tenham sido acolhidas com grande crédito. Natural. Depois de anos de contradições, espetáculos do crescimento que não se realizaram, ausência de compromisso com a palavra dita e permanente contencioso com a realidade, a desconfiança é mera consequência.

Cabe à presidente recuperar esse patrimônio. Para isso foi eleita. Para isso recebeu a delegação de conduzir o País nos próximos quatro anos. No calor da comemoração prometeu ser uma governante "melhor". Abrandado o entusiasmo, chega a hora de demonstrar.

E explicar o que quis dizer com isso. Começando por conferir confiabilidade às propostas de diálogo e união apresentando à sociedade em geral, ao Congresso em particular, qual seria a agenda em torno da qual o governo pretende dialogar com o País.

É de se supor que um grupo que está há 12 anos no poder não tenha dificuldade para detectar quais são as demandas que realmente interessam ao público. Uma tarefa que não pode ser delegada ao departamento de propaganda do Palácio do Planalto nem procurar de maneira sorrateira atender aos interesses partidários.

Nos últimos quatro anos o governo teve como pauta quase que exclusiva a reeleição da presidente Dilma. Por pouco não teve interrompido seu projeto de poder. De onde se depreende que tenha compreendido a necessidade de mudar a qualidade da relação com a sociedade. Começou tropeçando no plebiscito, pois é evidente que não é por aí que se pacifica nem se unifica muito menos se mobiliza a população em torno de coisa alguma.

O Brasil já viveu momentos esplêndidos de energia positiva na luta pela redemocratização, no pós-impeachment de Fernando Collor, a incorporação da estabilidade como valor social na implantação do Plano Real. Está nas mãos do governo mostrar que não quis outro mandato apenas para contabilizar mais uma vitória sobre os tucanos.

Ordem unida. No entender dos especialistas o aumento da taxa de juros denota autonomia do Banco Central. Pois liberdade de decisão de fato haveria se a decisão fosse tomada no curso da campanha, e não após as eleições, de modo a não atrapalhar o discurso da candidata que acusava o adversário de "gostar" de juros altos.

Guinada. Em 2002, Henrique Meirelles foi escolhido para a presidência do Banco Central depois de ter sido eleito deputado federal pelo PSDB de Goiás. Agora entra da lista dos candidatos ao Ministério da Fazenda depois de ter escrito artigos com contundentes críticas à política econômica de Dilma e por isso ter sido cogitado para integrar a chapa de Aécio Neves como vice antes de o PSD atender aos apelos de Gilberto Kassab para renovar a aliança com o PT.

Bem entendido. O pedido de auditoria feito pelo PSDB ao Tribunal Superior Eleitoral não contesta o resultado da eleição. Ao contrário. A ideia seria pôr fim às teorias conspiratórias que nessa eleição chegaram ao auge da paranoia.

Se bem que esse não é o melhor caminho para dirimir as dúvidas da desconfiança difusa, baseada no fato de que só o Brasil adota na integralidade esse sistema, pois a auditagem acaba dando margem a outras interpretações.

O ideal seria que o TSE insistisse em explicar de maneira simples e didática o funcionamento e o sistema de segurança das urnas eletrônicas.

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