MAURO PIMENTEL/AFP
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Agenda de Mourão prevê entrevista à CNN, emissora crítica a Trump

Vice-presidente da República é um contraponto à escolha do presidente Jair Bolsonaro, que concedeu entrevista à FOX News

Beatriz Bulla, correspondente, e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2019 | 18h43

WASHINGTON e BRASÍLIA – A agenda do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, nos Estados Unidos prevê uma entrevista à rede de televisão CNN. A emissora é crítica ao presidente dos EUA, Donald Trump, que já chamou jornalistas da CNN de “fake news”. A entrevista, que ainda consta na agenda de Mourão como um compromisso “a confirmar”, é um contraponto à escolha do presidente Jair Bolsonaro nos EUA.

Quando esteve em Washington, há pouco mais de 15 dias, Bolsonaro decidiu dar uma entrevista à FOX News, a emissora que é geralmente elogiada por Trump e frequentemente escolhida pelo governo americano para entrevistas exclusivas. O governo Bolsonaro tem feito um movimento de aproximação da gestão de Trump

A entrevista à CNN não é o único contraponto de Mourão à agenda do presidente nos EUA. O vice-presidente terá uma agenda com imigrantes brasileiros em Boston, neste sábado. A passagem de Bolsonaro pelos EUA foi marcada por um recuo em uma declaração sobre imigrantes.

Em entrevista à Fox, Bolsonaro defendeu a construção de um muro na fronteira dos EUA com o México, como proposta por Trump, e afirmou que a maioria dos imigrantes não tem boas intenções. No dia seguinte, o presidente brasileiro se desculpou. Também em Washington, o filho de Bolsonaro, deputado Eduardo Bolsonaro, afirmou que os imigrantes ilegais são uma “vergonha” para o País. 

Mourão tem agenda em Boston, onde participa do evento Brazil Conference, organizado por alunos das universidades de Harvard e do MIT, durante o fim de semana. Na segunda-feira, ele tem encontros em Washington, capital dos Estados Unidos, incluindo uma reunião com o vice-presidente dos EUA, Mike Pence.

Aliados do presidente têm se incomodado com o que consideram “agendas de Mourão que destoam da linha” do governo e com declarações recentes do vice-presidente que “parecem contrariar ou desautorizar posições prévias do Presidente”, segundo uma fonte do governo. 

A viagem de Mourão é encarada, por isso, como uma “viagem pessoal”. Apenas a visita a Pence teria contado com o intermédio da área internacional do Planalto.

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