Agenda de Dilma prioriza viagens

Agenda de Dilma prioriza viagens

Presidente visita cinco estados nos próximos 10 dias

Tânia Monteiro, O estado de S. Paulo

07 de março de 2015 | 15h25

BRASÍLIA- Após começar o ano com uma derrota na eleição para a presidência da Câmara, e frustrada na sua tentativa de recompor a base aliada, a presidente Dilma Rousseff tenta reverter o quadro negativo com viagens pelo País e um discurso com apelo para que população ajude a pressionar o Congresso a aprovar as medidas do ajuste fiscal, sob o risco de comprometer os programas sociais, como o Minha Casa Minha Vida e o Bolsa Família.

Para esta semana, Dilma desenhou uma série de "agendas positivas" com inaugurações e visitas a obras em cinco Estados - São Paulo, Acre, Rio de Janeiro, Maranhão e Goiás - nos próximos dez dias. Quanto estiver em Brasília, também estará exposta ao público em cerimônias, no Palácio do Planalto, algumas de sanção de leis. Esse foi um dos conselhos dados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma resistiu a segui-los. Agora, resolveu ceder.

Na viagem que fez na sexta-feira, 6, a Araguari, em Minas Gerais, justamente já dando início à ofensiva de defender seu governo junto à população, a presidente Dilma encampou o discurso que vinha sendo feito, até então, pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. "Nós estamos entrando agora numa nova fase de enfrentamento da crise onde várias medidas diferentes serão necessárias", disse a presidente, acrescentando que quer melhorar ainda mais. Ainda sim, admitiu a suspensão do programa Minha Casa Melhor, que financia eletrodomésticos e móveis para os mutuários do Minha Casa Minha Vida a juros subsidiados, bem abaixo do mercado.

A causa, segundo ela, foi a alta taxa de inadimplência nos empréstimos. O programa foi interrompido, contudo, diante do cenário de restrição fiscal. Hoje, ainda em busca desse apoio da população, Dilma fará um contundente pronunciamento à Nação, por ocasião do dia da Mulher, saindo em defesa do seu governo.

Arestas

A presidente terá ainda de aparar uma série de arestas, a principal no PMDB

Arestas. A presidente terá ainda de aparar uma série de arestas, a principal no PMDB. Ela foi pressionada pelo partido a incluir o vice-presidente da República, Michel Temer, no núcleo de decisões políticas do governo. Mas na última reunião da coordenação política, feita na quarta-feira, 4, ela não convidou Temer para participar. No jantar de segunda-feira, 2, no Palácio Alvorada, Dilma havia prometido ao PMDB que o vice-presidente integraria o núcleo político do governo.

Mesmo sem ter sido convidado para as reuniões com líderes naquele dia, Temer pediu para conversar com a presidente no final da tarde. Queria alertá-la sobre o clima de esfacelamento do relacionamento do governo não só com o PMDB, mas também com os demais partidos da base aliada.

Segundo esses interlocutores de Temer, Dilma tentou tranquilizá-lo, dizendo que estava tudo "sob controle". O vice-presidente dizia o contrário. Diante do esforço sem resultados, o Temer preferiu deixar Brasília em direção a São Paulo, onde mora sua família.

Em uma tentativa de reverter esse cenário, a presidente Dilma mandou convidar o vice-presidente para estar ao lado dela na reunião que fará na segunda-feira, 9, no Planalto, com ministros, presidentes dos partidos aliados e líderes da base na Câmara e no Senado. A presidente Dilma precisa ter senadores a seu lado para ajudar a reverter o mau-humor do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) com o Planalto, que já mostrou que vai tornar a vida do governo bem difícil no Legislativo.

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