Agenda de Braz contradiz defesa de Dantas

PF mapeia compromissos de ex-presidente da BrT para apurar mais uma tentativa de suborno

Roberto Almeida, O Estadao de S.Paulo

04 de dezembro de 2008 | 00h00

A agenda de compromissos do ex-presidente da Brasil Telecom Humberto Braz, condenado com o banqueiro Daniel Dantas por corrupção, é considerada pela Polícia Federal o elo entre o grupo Opportunity e mais um suposto caso de tentativa de suborno, que teria sido proposto a Sérgio Antonio de Carvalho, marido da juíza Marcia Cunha, da 2ª Vara Empresarial do Rio.A agenda foi apreendida pela Operação Satiagraha e revela 245 compromissos de Braz, no período entre 11 de junho de 2003 a 20 de outubro de 2004. O documento, de seis páginas, indica que Braz recebeu 16 vezes Eduardo Rascovzky, que ofereceu, de acordo com a magistrada, "uma proposta financeira extremamente vantajosa" a seu marido em nome do grupo de Dantas. Ele queria que Carvalho advogasse para o Opportunity por um "dinheiro para ficar rico".A razão da proposta, segundo Marcia, era reverter dois processos em favor do Opportunity. Uma ação conferia ao grupo de Dantas o direito na gestão de companhias como a Brasil Telecom, da qual Braz fora presidente.Na semana passada, a defesa de Dantas alegou desconhecer o suposto lobista. O primeiro encontro entre Braz e Rascovzky teria ocorrido no dia 6 de fevereiro de 2004, com a presença de Maria Amália Delfim de Melo Coutrim, funcionária do Opportunity. O último teria sido realizado no dia 20 de outubro do mesmo ano. Segundo Marcia, a tentativa de suborno ocorreu meses depois, entre março e abril de 2005. A agenda não esmiuça os motivos de tantas reuniões.A juíza afirmou ao delegado Ricardo Saadi, que conduz o inquérito Satiagraha, que seu marido não aceitou a oferta de Rascovzky. Decidiu ainda gravar uma conversa com o suposto emissário do Opportunity para que fosse confirmada a proposta de "emprego". Marcia decidiu contra o banqueiro no caso dos fundos de pensão e o resultado, segundo ela, "foi um inferno". Relatou situações de pressão psicológica, intimidações e até ameaça de morte.Marcia enfrentou representações no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e no Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio. Em ambos os casos, foi absolvida. Seu advogado, Cláudio Costa, afirma que ela foi alvo de uma "campanha sórdida".O Opportunity não comentou a relação entre Braz e Rascovzky, mas relatou, em carta, que argüiu suspeição sobre as decisões da juíza porque a liminar que suspendia os direitos do grupo na gestão da BrT foi dada "com extraordinária rapidez", em decisão de 38 páginas que não condizia com a escrita da magistrada.Ressaltou ainda que em 2006 a Justiça do Rio "abriu espaço para a volta do Opportunity ao controle da Brasil Telecom ao derrubar, por unanimidade, a liminar dada pela juíza Marcia Cunha que suspendia os efeitos do chamado acordo guarda-chuva, que permitiu aos fundos de pensão e ao Citigroup tomarem o controle da Brasil Telecom". Rascovzky não foi encontrado pela reportagem.

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