Agências reguladoras viram alvo

Órgãos técnicos foram invadidos por cotas partidárias

O Estadao de S.Paulo

07 Outubro 2007 | 00h00

As agências reguladoras também foram atingidas por uma acelerada partidarização nos últimos anos. Os partidos que hoje formam a base de sustentação do governo Lula ou integrantes da cúpula governista indicaram diretores para várias delas. A intervenção mais notória aconteceu na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), pivô das maiores críticas durante o apagão aéreo e que já teve vários de seus diretores substituídos.Nela, o presidente Milton Zuanazzi, indicado pela ministra da Casa Civil, será substituído por Solange Vieira, completando a troca do comando da agência. Após a crise aérea já saíram, entre outros, Denise Abreu, ligada ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, e Leur Lomanto, ex-deputado federal do PMDB da Bahia.O PT tem a direção da Agência Nacional de Águas (ANA), ocupada por José Machado, ex-prefeito de Piracicaba e ex-líder do partido na Câmara. Tem também a Agência Nacional de Saúde (ANS), com Fausto Pereira dos Santos, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com Dirceu Raposo. Esta última pode ser transferida para a influência do ex-ministro da Saúde José Agenor Álvares (PMDB-MG) ou do ex-ministro do Esporte Agnelo Queirós (PC do B-DF).O PMDB mineiro indicou Francisco de Oliveira Filho - sobrinho do ministro das Comunicações, Hélio Costa - para uma das diretorias da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O grupo político comandado pelo senador José Sarney (PMDB-AP) indicou Fernando Antônio Brito Fialho para a direção da Agência Nacional de Transportes Aquáticos (Antaq).O PC do B já comanda a Agência Nacional de Cinema (Ancine), com Manoel Rangel, e a Agência Nacional de Petróleo (ANP), com o ex-deputado Haroldo Lima (BA).Lima é personagem de dois extremos. Na Constituinte, atuou com destaque contra os leilões de áreas para exploração de petróleo; hoje, os comanda. Ele explica que foi contra os leilões para salvar o monopólio estatal do petróleo. Agora, diz, existe um modelo aberto com presença estatal, que deu certo sem desnacionalizar as reservas petrolíferas.

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