Agaciel se despede, como superstar

Ex-diretor do Senado foi abraçado, agarrado e até ensaiou discurso

Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

05 de março de 2009 | 00h00

Sem cargo, mas ainda poderoso. Foi esta a imagem do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia, ao consumar ontem seu afastamento do cargo. Agaciel, que sempre esteve à sombra dos parlamentares, viveu o papel de político popular. No salão de entrada do Senado, foi homenageado por cerca de 200 funcionários.Concursados e ocupantes de cargos de confiança receberam-no com entusiasmo só visto em visita de personalidades ilustres. Agaciel percorreu um salão lotado, foi abraçado, agarrado e até ensaiou um discurso. De teor político. De político com problemas. "Não vou fazer aqui minha defesa. Já mostrei tudo que tinha de mostrar no papel", disse.A manifestação de servidores reforça informações de bastidor de que o substituto, o diretor-geral adjunto, Alexandre Gazineo, continuará ligado a Agaciel, que por quase 15 anos ocupou o posto máximo da hierarquia funcional do Senado.O ex-diretor foi alçado ao cargo pelo senador José Sarney (PMDB-AP), que hoje ocupava o cargo de presidente da Casa. Poderoso e apadrinhado, Agaciel desfrutava de um "semimandato". A cada aniversário, os convites para participar do jantar em sua homenagem eram disputados. No entanto, não resistiu à revelação de que escondera a propriedade de uma mansão, em Brasília, avaliada em R$ 5 milhões. Ontem, despediu-se: "Voltando a ser um humilde servidor, a única coisa que quero de vocês é amizade", disse. E ouviu alguns "volta!, volta!" e muitos aplausos.

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