Afinidade com Lula 'politiza' prisão

Alberto Bombig, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2015 | 02h05

A prisão de Marcelo Odebrecht ocorre num momento em que a presidente Dilma Rousseff ensaia uma "agenda positiva" para tentar sair da crise político-administrativa que amarra o início deste seu segundo mandato. O efeito imediato será enterrar qualquer possibilidade de a pauta governista prevalecer sobre o noticiário relativo às investigações.

A avaliação entre os petistas e entre a oposição é que essa nova leva de prisões tem potencial para ser a etapa mais "politizada" da Operação Lava Jato. O fator agravante em relação às fases anteriores é simples: Odebrecht é o executivo de empreiteira mais próximo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o homem forte do PT, e usou dessa relação para ter acesso ao partido e ao governo. No ano passado, Dilma recebeu o executivo ao menos duas vezes no Planalto, sob o pretexto de se reaproximar dos empresários brasileiros. Nas duas ocasiões, a Lava Jato já estava a pleno vapor. Segundo interlocutores da presidente, Dilma atendeu a sugestões de Lula ao marcar os encontros.

Por tudo isso, a relação entre Lula e a Odebrecht entrou no radar da efervescente luta político-partidária brasileira. Ao perceber que estava bem no meio dessa disputa, Marcelo Odebrecht desabafou, em evento realizado nesta semana: "Estou irritado por estar na linha de fogo do embate político". A tendência, agora, é que esse fogo seja ainda mais cerrado sobre ele e seu amigo Lula.

 

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