Afinados, Lula e Serra têm longa conversa em Paulínia

Presidente e governador tucano passam solenidade de inauguração da Braskem batendo papo ao pé-do-ouvido

Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo, e Anne Warth, da Agência Estado,

25 de abril de 2008 | 20h13

Lula e Serra, quem diria, passaram uma tarde de bons companheiros, pelo menos aparentemente. O presidente petista e o governador tucano, rivais históricos nas eleições de 2002, almoçaram na sede da Braskem, em Paulínia (SP). Veja também: TV Estadão: cientista político Marco Antônio Teixeira comenta aliança PMDB e DEM   Fórum: você acha que o apoio do PMDB a Kassab pode impulsionar a candidatura?  Leia a íntegra da cartilha do TSE para as eleições   Depois, travaram longo bate-papo, ao pé-do-ouvido, durante toda a solenidade de inauguração da unidade da empresa para produção de 350 mil toneladas de polipropileno. À esquerda de Lula, Serra ouviu mais que falou. À direita do presidente, ficaram de fora do bate-papo, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia), o presidente nacional do PMDB, Michel Temer (SP), e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Lula, por vezes, gesticulava muito, o semblante carregado, demonstrando aparente irritação. O tucano ouvia e concordava com a cabeça ou fazendo algum comentário. Vez ou outra, Serra se ocupava de uns papéis que mantinha sobre as pernas e os folheava. E Serra até sorriu, quando Lula iniciava seu pronunciamento, na parte improvisada, e foi interrompido por um ruído muito forte - um problema na central do ar-condicionado. "Quero ver agora se o sistema de segurança está totalmente em ordem", cobrou o presidente, sem perder o humor. Mais tarde, Lula disse: "Achei que era alguém contra o etanol que veio atacar a gente." Lula só deu uma pausa na conversa com Serra quando o coordenador-geral do Sindicato dos Petroleiros Unificados de São Paulo, Itamar Sanchez, defendeu o terceiro mandato. "Não é hora, nem local, para se falar nisso, mas precisamos manter a continuidade dos projetos desse governo que são um exemplo a ser seguido", bradou o sindicalista, para gáudio de Lula. Mais tarde, em seu discurso, Serra revelou o assunto, ou pelo menos um deles, que tratou com Lula aos cochichos. "Me contaram que o Lula fez algo hoje em Campinas bastante grave para a nossa convivência", começou o governador, em meio à uma platéia muito atenta. "Ele vestiu a camisa da Ponte Preta. Vai ter problema na família e aqui em São Paulo. Não sei se é verdade, presidente." Lula não respondeu ao governador, que é palmeirense roxo. Os dois pareciam mesmo muito afinados. Durante sua fala, Lula pediu diversas vezes parceria e empenho de Serra na batalha pelo etanol. O governador declarou total apoio à cruzada lançada pelo petista. Até na hora da entrevista coletiva que concedeu, à saída da sede da Braskem, o presidente fez questão de puxar Serra pelo braço esquerdo para que o governador também desse sua palavra. Quando indagados sobre eleições, presidente e governador também pareciam ter ensaiado. Primeiro, Lula disse que não iria interferir na aliança PT/PSDB anunciada em Belo Horizonte. "Isso é problema do PT, não é do governo." Depois, o presidente empurrou a bola para o governador. "Eleição é com o Serra." Mas o tucano evitou o tema, quando abordado sobre o apoio do PMDB a Gilberto Kassab (DEM) na corrida para a Prefeitura de São Paulo. "Não vou falar sobre eleição, tira o foco do que tratamos aqui."

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