'Afilhados' na lista de demissão da Infraero pedem licença

Jobim reage às declarações de Romero Jucá, que está irritado com dispensa de seus apadrinhados políticos

Tânia Monteiro e Rui Nogueira, de O Estado de S. Paulo,

14 de maio de 2009 | 10h08

Os afilhados de políticos demitidos ou na lista de corte da Infraero estão tirando licenças de saúde para postergar suas dispensas, uma vez que não podem ser dispensados enquanto estão afastados da empresa. Na segunda, 11, Mônica Infante Azambuja, ex-mulher do deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), pediu licença médica de 30 dias, a 13.ª que apresenta à estatal desde que assumiu vaga de assessora na Infraero.

 

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Também entraram em licença médica José Roberto de Oliveira, que trabalhava na superintendência regional de Guarulhos, e Luiz de Faria Filho, da regional do Recife, apadrinhados do ex-presidente da Infraero, Carlos Wilson, que morreu há pouco mais de um mês vítima de um câncer. O cronograma de enxugamento da empresa prevê 98 demissões até o meio do ano, das quais 25 já foram efetuadas.

 

Na última quarta, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, reagiu com ironia às declarações do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), que está irritado pela forma com que Jobim demitiu seus apadrinhados na Infraero. Jucá anunciou a intenção de apresentar uma proposta de emenda constitucional para que apenas militares possam comandar o Ministério da Defesa.

 

"O senador tem o direito de apresentar a emenda que quiser e bem entender. A questão não é apresentar a emenda. A questão é aprová-la", disse Jobim.

 

O deputado Henrique Eduardo Alves disse desconhecer os motivos da licença da ex-mulher e negou o apadrinhamento. A reportagem tentou ouvir Mônica, mas não a localizou em sua casa. Luiz de Faria Filho Faria disse que está com calcificação nas vértebras, e Oliveira não foi localizado.

 

"Limpeza" administrativa

 

A decisão do governo de profissionalizar a direção da Infraero e afastar os funcionários com cargos apadrinhados por lideranças partidárias se baseou no novo estatuto da empresa, aprovado em 16 de abril, que prevê a demissão de 109 funcionários, dos quais 81 foram indicados por políticos. A medida, segundo analistas, é o início de um processo que levar a estatal a um destes destinos: abertura de capital a investidores privados ou privatização.

 

O governo encomendou estudos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e concluiu que as opções futuras impõem uma "limpeza" administrativa prévia na empresa. O BNDES está formatando a solução da abertura de capital e a Anac entrega até o fim de junho os cenários de fatiamento da Infraero - agrupando-a por blocos de rentabilidade dos aeroportos - e o passo a passo de um processo de privatização.

 

A abertura de capital ou a privatização têm em vista a necessidade de investimentos por causa da Copa do Mundo de 2014, as pretensões cariocas de sediar as Olimpíadas de 2016 e a eventual retomada do crescimento econômico.

 

Texto alterado às 11h10, com acréscimo de informações.

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