Afif atribui pane no 'impostômetro' à ação de hacker

A pane no painel do impostômetro, que causou uma saia justa para o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, no início da tarde de hoje, pode ter sido causada por ação de hackers no sistema que contabiliza a arrecadação de impostos em todo o País. De acordo com o candidato a vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, uma falha no Paraná derrubou o sistema. "Há uma grande possibilidade de ter sido hacker. É uma suspeita bem ''confirmável''."

CAROLINA FREITAS, Agência Estado

30 de agosto de 2010 | 15h10

Afif faz parte da direção da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que alimenta e mantém o impostômetro, um grande letreiro no centro de São Paulo com o valor dos impostos arrecadados a cada ano. O plano de Serra era ser filmado e fotografado em frente ao painel na hora em que fosse registrada a marca de R$ 800 bilhões. No entanto, cerca de dez minutos antes da virada, o letreiro apagou.

Serra tentou encarar o percalço com bom humor. "Vai ver algum anãozinho foi lá e criou o sigilo para isso. A moda no Brasil é quebrar sigilo. Aí, nesse caso, foi construir o sigilo", disse, após uma caminhada pelo centro da capital paulista e um cafezinho numa lanchonete. O candidato tucano ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, que acompanhava Serra no evento, também ironizou a situação. "O painel não aguentou tanta arrecadação."

Os apoiadores de Serra evitaram relacionar o PT ao incidente, mas a suspeita ficou implícita. "É difícil falar que foi. Cada um tem sua motivação. Não posso afirmar que tenha sido alguém do PT, mas basta imaginar a quem interessa. É no mínimo molecagem", afirmou Afif.

Críticas

Mesmo com o imprevisto, Serra aproveitou a oportunidade para criticar a carga tributária imposta aos brasileiros pelo governo federal. Após o sistema voltar a funcionar, o candidato voltou para a frente do impostômetro, onde prometeu, se eleito, diminuir impostos, sobretudo para as pessoas de baixa renda e sobre bens de consumo.

"Não é que a gente deva esfolar quem ganhar mais, mas não deve esfolar quem ganha menos", afirmou. O tucano disse não ter uma meta precisa de redução da carga tributária, mas afirmou dispensar a necessidade de uma reforma nessa área. "A maioria das coisas você pode mexer por lei. O que precisa é ter uma política de declínio gradual dos impostos."

O candidato lembrou mais uma vez uma afirmação de sua adversária Dilma Rousseff (PT), que tentou relativizar os altos impostos. "A Dilma acha a carga tributária no Brasil boa. Eu acho excessivamente alta. E vou diminuir os impostos."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.