Afastamento do caso Renan 'estava combinado', diz advogado

Eduardo Ferrão toma decisão um dia após absolvição; assessoria do senador diz que foi por excesso de trabalho

Expedito Filho e Rosa Costa, do Estadão,

21 de setembro de 2007 | 19h37

O advogado Eduardo Ferrão, que se encontra na Paraíba, afirmou nesta sexta-feira, 21, que seu afastamento da defesa do processo de falta de decoro contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), já estava combinado previamente com Renan. "Foi uma honra defendê-lo. Nos tornamos amigos", disse Ferrão. A saída ocorreu um dia após o senador ser absolvido da cassação em plenário, na semana passada.  Veja Também:  Especial: veja como foi a sessão que livrou Renan da cassação Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado    O advogado foi responsável pela defesa no primeiro processo em que o senador era acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista da empreiteira Mendes Jr. Ferrão disse que o acerto com Renan seria o da suspensão dos seus serviços tão logo o Senado julgasse o primeiro processo. De acordo com o advogado, o seu afastamento não prejudica Renan. Ferrão considera que os outros três processos que ainda estão pendentes de apreciação pelo Conselho de Ética são inconsistentes.  Segundo a assessoria de imprensa de Renan, Ferrão alegou sobrecarga em processos com outros clientes para deixar a defesa do parlamentar, com quem trabalhava há dois anos. Aliados de Renan Calheiros chegaram a criticar a atuação do advogado ao longo da representação política que investigava a denúncia de ter as despesas pessoais pagas por um lobista. Um novo advogado já foi escolhido, mas Renan mantém sigilo sobre seu nome.  Ainda pesam sobre Renan as acusações de ter recebido propina para facilitar a negociação de uma dívida da cervejaria Schincariol com o INSS, as acusações do advogado Bruno Lins de que o presidente do Senado participava de um esquema de corrupção em ministérios do PMDB e a de ter utilizado laranjas para ser sócio em empresas de comunicação.  Na última quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal enviou para o Procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, o processo envolvendo a primeira denúncia contra o senador, do qual já escapou no Congresso. Caberá ao Ministério Público decidir se formaliza ou não a acusação. Renan Calheiros divulgará esta tarde a carta em que Eduardo Ferrão pede afastamento da sustentação de defesa no processo de quebra de decoro parlamentar.

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