Sergio Castro/Estadão
Sergio Castro/Estadão

Afastamento de Vaccari não foi discutido em reunião, afirma presidente do PT

Rui Falcão afirmou que apenas alguns diretórios pediram que pessoas investigadas na Lava Jato sejam afastadas do partido

Ana Fernandes, José Roberto Castro e Ricardo Galhardo , O Estado de S. Paulo

30 de março de 2015 | 21h21

SÃO PAULO - O presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse nesta segunda-feira, 30, que não foi discutida na reunião com dirigentes estaduais do partido o afastamento do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. A Justiça Federal aceitou, na semana passada, denúncia contra Vaccari, no âmbito da Operação Lava Jato. Segundo Falcão, foram apresentadas apenas duas cartas, pelos diretórios de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, pedindo genericamente que pessoas citadas na investigação sejam afastadas.


Falcão tentou evitar qualquer avaliação pessoal sobre o caso de Vaccari, mas argumentou que "quem é acusado não é culpado". Disse que qualquer iniciativa desse tipo no partido tem de partir de uma decisão coletiva, seguindo os ritos internos. "Não há nenhuma proposta, até o momento, para que o companheiro Vaccari seja afastado de suas funções", afirmou.


Questionado sobre a posição do ex-governador Tarso Genro, que participou de outra reunião com lideranças petistas pela manhã e início da tarde, no mesmo hotel em São Paulo, e que defendeu o afastamento preventivo do tesoureiro, Falcão disse que opiniões têm de ser respeitadas e ouvidas mas que Tarso não apresentou uma proposta em instância formal. "Ele poderá apresentar na reunião do diretório nacional no dia 17 (de abril)."


Sobre o envolvimento do partido com as denúncias envolvendo desvios bilionários na estatal, Falcão repetiu a argumentação de que nenhum diretor envolvido até agora ou delator da Lava Jato é filiado ao PT. Disse também que além do PT, são suspeitas movimentações financeiras para partidos como o PMDB, PSDB e PSB. "Por que para os outros partidos é doação e para o PT é propina?", perguntou.


Volta às origens. Falcão comentou os termos mais polêmicos do manifesto dos diretórios estaduais, divulgado após a reunião. O documento falou no combate ao "pragmatismo pernicioso" e ao "cretinismo parlamentar". Falou ainda em um reencontro com o partido dos anos 1980, retomada da "radicalidade" partidária e aproximação das massas e movimentos sociais, além de citar o apoio à reforma agrária e a uma reforma tributária, com taxação de grandes fortunas.



Falcão afirmou que a "radicalidade" não é de sair "quebrando coisas", mas de retomada das bandeiras históricas do PT. Com relação a política econômica de linha mais ortodoxa, adotada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse haver um consenso no partido que os ajustes são necessários para a retomada do crescimento e que essa retomada é prioritária para o país. "Subir e baixar juros não é questão de princípio para o PT. O importante pra nós é que a população não seja prejudicada com a volta da inflação, do desemprego."


O presidente do PT afirmou que Levy "está propondo um contingenciamento orçamentário que é possível fazer". Mas disse que certos ajustes, como as medidas que tocam seguro desemprego, abono salarial, pensão por morte e seguro defeso, precisam ser negociadas, com o Congresso Nacional e com os movimentos sociais. "As medidas, do jeito que estão, não serão aprovadas na minha opinião", afirmou.


PMDB. Perguntado se sair da "teia burocrática", do "pragmatismo pernicioso", não exigiria uma revisão da aliança com o PMDB, Falcão foi evasivo. Disse que o PT, como instância partidária, tem que discutir nacionalmente a política de alianças. Ressalvou, contudo, que há poucos partidos programáticos no País e que há realidades regionais muito distintas. "É muito difícil no Congresso, no quadro atual, você ter um quadro de alianças sem o PMDB", justificou. 


Ao comentar as falas recentes do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de que o PMDB finge ser governo, Falcão também evitou polemizar. Disse apenas que Cunha é o presidente de uma instituição e que precisa ser considerado. (Ana Fernandes, José Roberto Castro e Ricardo Galhardo) 


O PT defende também no documento que o partido não recue em suas posições e diz que o ódio de classe não o impedirá de "amar" o Brasil. "O ódio de classe não nos impedirá de continuar amando o Brasil e de continuar mudando junto com nosso povo. Esta é a nossa tarefa, a nossa missão."


O PT propõe ainda que se leve a bandeira do combate à corrupção a outros partidos, Estados, municípios e aos setores privados da economia. Segundo o documento, o momento não é de pessimismo, mas de reavivar as esperanças. Entre as proposições, está "lutar pela integração política, econômica e cultural dos povos da América, por um mundo multipolar e pela paz mundial".

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