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Afastamento ajuda e, ao mesmo tempo, preocupa o vice

Não há dúvidas de que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu Eduardo Cunha (PMDB-RJ) das funções de deputado e, consequentemente, de presidente da Câmara, beneficia o vice-presidente Michel Temer. Seu eventual governo terá condições de ganhar credibilidade – o que Temer mais precisará na intenção de fazer uma administração de união nacional –, pois Cunha está fora da linha de sucessão.

João Domingos, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2016 | 06h58

Ao mesmo tempo, porém, Cunha se torna agora um perigo para Temer. Réu no STF por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e operações nebulosas no esquema investigado pela Operação Lava Jato, existem fortes possibilidades de Cunha ser preso. Caso isso ocorra, Cunha pode se tornar uma espécie de Delcídio do Amaral (senador sem partido-MS) do PMDB e de Michel Temer.

Todo o amanhecer do novo governo carregará consigo o sobressalto de alguma revelação do deputado afastado. Portanto, se no poder o agora suspenso presidente da Câmara exigia cuidados especiais, fora do poder vai exigir mais e mais atenção.

Ninguém ignora que a delação de Delcídio – que compromete a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula e ministros do atual governo em questões ligadas à Lava Jato e suspeita de obstrução da Justiça – foi feita depois que o senador, ex-líder do governo, se sentiu abandonado pelos seus companheiros.

Ao analisar a suspensão do mandato do presidente da Câmara, o ministro Edson Fachin, do STF, cogitou a hipótese de examinar uma possível prisão de Cunha no futuro. Todos os ministros concordaram com Teori Zavascki, relator da suspensão do mandato do presidente da Câmara, de que Cunha confunde imunidade parlamentar com impunidade pessoal.

Em 2014, já candidato declarado à presidência da Câmara, Eduardo Cunha trabalhou junto com Michel Temer para que o PMDB elegesse o maior número de deputados, senadores e governadores. A maior parte da ajuda foi dada por meio da transferência de dinheiro aos diretórios estaduais do partido, para que eles pudessem tocar a campanha. Tanto Temer quanto Cunha já afirmaram que todas as transferências foram legais e registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mas, vai que numa eventual delação surja uma história diferente? Esse é o risco.

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