Afastado, Protógenes ataca comando da PF

Delegado, acusado de participação em evento político, diz em blog que seu desligamento temporário é ''mensagem de organização criminosa''

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2009 | 00h00

Protógenes Queiroz, o delegado da Operação Satiagraha, voltou à cena ontem para dizer que "sofre perseguição sistemática e desenfreada". Levantou suspeitas sobre a CPI dos Grampos e o comando da Polícia Federal, que decretou seu afastamento da corporação até conclusão de procedimento disciplinar que poderá culminar com sua exoneração. "Entendo ser uma mensagem direta da organização criminosa, chefiada pelo banqueiro condenado e espalhada no aparato estatal", escreveu Protógenes em seu blog na internet, referindo-se a Daniel Dantas, controlador do grupo Opportunity, que em novembro de 2008 pegou 10 anos de prisão por corrupção ativa. Especial traz a cronologia da Operação SatigrahaAo texto que inseriu na página principal, endereçado "ao povo brasileiro", ele conferiu o título A orquestra lufa-lufa. Diz ter recebido "com tranquilidade" a notícia de seu desligamento, decretado pela direção da PF no dia 9, mas vê na medida conspiração que atenderia a interesses do alvo maior da Satiagraha. "Tudo leva a crer que se trata de mais uma atitude, possivelmente, em favor do banqueiro condenado Daniel Dantas, semelhante a uma orquestra lufa-lufa."É a primeira manifestação pública do delegado sobre o ato do diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, que ordenou sua exclusão por tempo indeterminado do serviço ativo da instituição. Acusado de participar de ato político, Protógenes considera-se vítima de hostilidades. "Sinto-me injustiçado pela inversão de papéis que vem ocorrendo no cotidiano, o que leva a crer que haja, de fato, uma intenção de desmoralização da autoridade policial judiciária."Para o delegado, o trabalho dele e de outros policiais na Satiagraha, e também de juízes federais e procuradores da República, é posto sob suspeição, "enquanto o foco principal, o crime perpetrado pelos investigados do colarinho branco, desaparece das atenções".Analisa as últimas ocorrências que, para ele, comprovam sua tese de constrangimentos. No dia 17 de março foi indiciado pela PF por quebra de sigilo funcional e violação da Lei de Interceptações. No dia 8 deste mês prestou depoimento à CPI. "O objetivo era me constranger perante a opinião pública com prisão, o que de fato não ocorreu."Seu alento, anota, é a suposta solidariedade que o País lhe confere. "A população brasileira não compartilha dessa perseguição sistemática e desenfreada contra minha pessoa."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.