José Patricio/Estadão
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'Aeroporto era para todo mundo usar, até Aécio'

Tio do tucano questiona valor de desapropriação e alega não ter recebido indenização por área em que foi construída a pista

JOSÉ MARIA TOMAZELA , ENVIADO ESPECIAL / CLÁUDIO (MG), O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2014 | 02h05

O tio-avô do candidato tucano à Presidência Aécio Neves, Múcio Guimarães Tolentino, afirmou ontem, em entrevista ao Estado, que o aeroporto reformado pelo governo de Minas Gerais em sua fazenda, no município de Cláudio, não era para uso exclusivo de Aécio. "Era para todo mundo usar, inclusive o governador", disse ele. Tolentino está sendo processado por ter reformado a pista do aeroporto com recursos do governo estadual em 1983, na gestão de Tancredo Neves, avô de Aécio.

Ele conta porque, assim que o local foi desapropriado em 2008, ele entrou com ação contra o Estado: "É que queriam pagar uma bagatela." Em 2009, o governo Aécio investiu R$ 13,9 milhões na construção de uma pista nova no aeroporto.

No domingo passado, o jornal Folha de S. Paulo noticiou que as chaves do local continuam nas mãos dos parentes de Aécio. Fernando Tolentino, um dos filhos de Múcio, diz que a pista costuma ser usada pelo tucano, cuja família tem uma fazenda a 6 quilômetros dali.

Afinal, de quem é o aeroporto?

Aquilo sempre foi de uso público por mais de 50 anos. Quando estavam fazendo o asfalto na rodovia, o diretor da firma pediu que eu cedesse um faixa para ele descer com o avião. Aí todo mundo passou a usar.

Quando era prefeito, o sr. recebeu verba para reformar a pista e está sendo processado por isso. Teve os bens bloqueados?

Sim, a fazenda, mas meus advogados estão cuidando. Eles sabem melhor do que eu. Fui prefeito duas vezes, de 1963 a 67 e de 1983 a 88. Quando o Tancredo (Neves) era governador, a pista já era muito usada e ele mandou arrumar. Lá nunca foi particular, muita gente sempre usou e ainda usa.

Quando Aécio desapropriou, ele conversou com o senhor?

Não. Eles queriam pagar, me parece, R$ 4 o metro na época. O terreno todo em volta é meu e ali tem umas 60 indústrias. O preço ali é bem além do que foi oferecido. Com certeza o próprio governo veio fazer uma pesquisa e queria pagar uma bagatela. Não aceitei e está na Justiça. Não recebi um centavo, nada. Tenho que receber, espero que a Justiça resolva.

O sr. tem a chave do aeroporto?

Não. Não tenho avião e nem entro lá. O terreno em volta, que é meu, está todo aberto.

Então quem controla a área?

Não sei. Não sou eu. Hoje é só amolação. Não estou bem de saúde, estou com 87 anos. Só sinto não poder dar informações mais detalhadas. Um aeroporto faz falta. Aqui é um polo de fundição vigoroso, vem gente até da China, do Canadá.

A pista é para uso de Aécio?

O aeroporto não é do Aécio, o que ele fez foi melhorar. A intenção era todo mundo usar, inclusive o governador. Quem utiliza é o Pedro de Oliveira e o Bráulio Campos, empresários que têm avião.

Há exploração política no caso?

O PT é o único que não podia explorar isso, pois eles sabem quanto dói. É muita picuinha.

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