Aeronave não tripulada inicia combate na fronteira

Depois de três anos do início do início dos estudos, o Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant), que será operacionalizado pela Polícia Federal para fiscalização das fronteiras e em grandes eventos, foi oficialmente apresentado hoje (10) na Base Aérea da PF em São Miguel do Iguaçu (PR). "Da mesma maneira que o crime se apropria rapidamente da tecnologia, é necessário que os responsáveis pela política de segurança pública também se apropriem da tecnologia", justificou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

EVANDRO FADEL, Agência Estado

10 de novembro de 2011 | 17h13

O Vant tem tecnologia israelense e é utilizado no mundo com objetivos militares. A PF brasileira é a primeira a adaptá-lo para operações de segurança pública. De acordo com o ministro, outras polícias têm procurado informações sobre o sistema. "Deve ser utilizado nas Olimpíadas de Londres", anunciou. Segundo Cardozo, o Vant também ficará à disposição para as ações durante a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

O sistema é composto de uma aeronave com cerca de 16 metros de extensão de uma asa a outra e com peso de 1.250 quilos. Mas a tecnologia que carrega permite autonomia de voo para 37 horas, alcançando até 10 quilômetros de altura. Entre os equipamentos estão radares meteorológicos e sensor que capta imagens com total nitidez, permitindo aproximação e coordenadas exatas dos alvos a serem atingidos por equipes em terra. Do alto, a imagem de toda a operação é transmitida para os operadores que estão em contato com os agentes, garantindo mais segurança.

"A ideia é ter integração entre os órgãos para compartilhamento de planejamento e ações", ressaltou o ministro. Em especial citou o trabalho que pode ser feito no combate aos crimes ambientais. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, era uma das convidadas para o evento. Entre os objetivos do Ministério da Justiça está a utilização do sistema para cobrir todos os 16 mil quilômetros de fronteira, incluindo a complexidade da Floresta Amazônica. "Não se vence desafios sem tecnologia", ressaltou Cardozo.

A aeronave é comandada por controle remoto a partir de um Centro de Comando em Solo. A partir de determinada distância, o controle pode ser feito também via satélite, que tem capacidade de gerenciar um raio de 1.500 quilômetros. "As tecnologias e equipamentos servem para minimizar riscos, produzir mais provas e integrar com outros órgãos", destacou o diretor-geral da PF, Leandro Daiello Coimbra.

O projeto prevê a compra de 14 aeronaves, mas o ministro disse que não há prazo para que isso seja concretizado. "Precisamos aumentar o efetivo da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, treinar essas pessoas e, com condições operacionais, adquirir os aparelhos para gastar bem o dinheiro e fazer a boa gestão da coisa pública", afirmou.

O contrato de compra prevê que a empresa israelense IAI repasse para o Brasil a tecnologia. "Estamos nos apropriando dela, por isso no Brasil já se pode começar a pensar em produzir o equipamento", ressaltou o ministro. O custo é de cerca de US$ 50 milhões por cada sistema. "É um dinheiro relativamente alto, mas muito bem gasto", disse Cardozo. Segundo ele, países que fazem fronteira com o Brasil estão interessados em formalizar parcerias para que o Vant seja utilizado nas operações conjuntas.

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