Aeronáutica prorroga prazo para propostas de caças

Empresa francesa Dassault se antecipou e apresentou a sua proposta na última sexta-feira

estadao.com.br,

21 de setembro de 2009 | 14h17

O Comando da Aeronáutica estendeu para 2 de outubro o prazo para a apresentação das propostas de venda ao Brasil de novos caças supersônicos. A prorrogação do prazo, que terminaria nesta segunda-feira, 21, já havia sido acenada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, na última sexta-feira, e foi atendida em função de um pedido da sueca Saab, fabricante do avião Gripen.

 

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A empresa francesa Dassault - que no inicío do mês, durante visita do presidente Nicolas Sarkoy, apareceu como a preferida do governo Lula - antecipou-se e apresentou a sua proposta na última sexta-feira. Mas o Comando da Aeronáutica decidiu estender o prazo a todas as concorrentes. Além da França e da Suécia, os Estados Unidos participam também da concorrência para a compra dos 36 caças pela Força Aérea, negócio que poderá chegar a 4 bilhões de euros.

 

A decisão, acredita um brigadeiro da Aeronáutica, depende agora apenas de avaliações estratégicas - para o oficial, toda a equação técnica está resolvida, considerado o fato de que os três aviões, o F-18 E/F, o Rafale-3 e o Gripen NG, podem assumir a missão operacional da Força, com variações de peculiaridades.

A posição mais delicada é a do consórcio Rafale International, que reúne as empresas fabricantes do caça francês. Depois do anúncio do dia 7, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou ao presidente Nikolas Sarkozy que a preferência era pelo jato de combate da Dassault, o favoritismo depende da confirmação do ajuste prometido pelo grupo.

Os pontos a serem reposicionados estão na área de custos, de aquisição e de operação. Sarkozy assumiu o compromisso de trazer a hora de voo para os padrões praticados na Armée de L"Air, entre US$ 8 mil e US$ 9 mil. É próximo do avaliado para o F-18, mas ainda é o dobro do garantido como sendo o teto do Gripen NG.

Na área técnica do Comando da Aeronáutica a redução é um problema fácil de resolver: os especialistas lembram que a formação do preço leva em conta a despesa com infraestrutura e logística, significativamente menor no Brasil em relação à Europa ou as áreas de conflito. Os mesmos oficiais sustentam que os centros de operações aéreas dos dois países estão trocando informações referentes.

Executivos franceses do setor aeroespacial, que não querem ser identificados, acreditam na reorganização da negociação pela abordagem de outros tópicos, como os termos do financiamento, mais os cronogramas de pagamentos e de cadência de entregas das aeronaves. Os analistas lembram que as discussões da Comissão Coordenadora do Programa da Aeronave de Combate (Copac) com as três empresas selecionadas, são mantidas ininterruptamente desde janeiro.

 

Na Saab, a expectativa é de que o último polimento no processo possa ser determinante na reta final. A empresa oferece participação em 40% do caça - tanto na versão BR, que participa da F-X2, como na produzida para a força aérea sueca. Nenhum componente possível de ser produzido pela indústria brasileira será replicado na Suécia. A proposta de fabricar no País todos os aviões, desde a primeira unidade, foi formalizada.

 

Informações de Tânia Monteiro e Roberto Godoy, de O Estado de S.Paulo

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