Aeronáutica investigará causa do acidente e descarta erro grosseiro

O Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (Cecomsaer) informou que, somente depois da investigação, chefiada por um coronel e formada por uma equipe de especialistas em eletrônica, propursão, segurança, pirotecnia e gerenciamento de projetos, é que poderão ser reveladas as causas da explosão do Veículo Lançador de Satélite (VLS), em Alcântara, no Maranhão. "Se fosse simples, um erro grosseiro, já teríamos a resposta", afirmou o major-brigadeiro Tiago da Silva Ribeiro, comandante do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).Ele praticamente descarta a possibilidade de interferência de ondas eletromagnéticas na operação envolvendo o VLS, como ocorreu em 1999, quando outro veículo foi destruído durante o lançamento, também em Alcântara. Segundo ele, todas as operações desta natureza pelo mundo são monitoradas por equipes especializadas em rastreamento. Ribeiro contou que os equipamentos do VLS que explodiu tinha dispositivos inclusive contra raios elétricos.O brigadeiro também descartou a probabilidade de uma falha humana ou que os técnicos tenham sido obrigados a acelerar o trabalho para que o VLS fosse lançado na quarta-feira desta semana. "Ninguém trabalha nesta área obrigado, mas por amor. Não aceito que eles (os técnicos) venham a ser culpados de acovardados", afirma Ribeiro, no sábado.HomenagensOs técnicos mortos na explosão, que pertenciam ao Centro Tecnológico Aeroespacial (CTA), de São José dos Campos, deverão receber uma homenagem em Alcântara antes de serem levados para sua cidade, onde a Aeronáutica montou equipes de apoio às famílias. "Estamos com médicos e capelães visitando os parentes das vítimas", informou Ribeiro. "É um compromisso de governo dar assistência às famílias", acrescentou o ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral.IdentificaçãoTodos os 21 corpos de engenheiros e técnicos mortos na explosão do VLS foram localizados, e a maior parte já estava sendo identificada por médicos e dentistas do Instituto Médico Legal (IML) de São Luís, por meio da arcada dentária. Provavelmente, até terça-feira eles serão levados para São José dos Campos, onde os mortos moravam.Segundo o diretor do IML, Wanderley Santos da Silva, até o final da noite de hoje, quase todos os mortos já estarão identificados. "A Aeronáutica nos forneceu um dentista e material para fazermos os exames da arcada dentária. Já temos os nomes de grande parte deles, mas a confirmação será no final", afirmou o diretor do IML. "Por isso, a partir da liberação, podem seguir para São José dos Campos", acrescentou Silva.ChegadaDurante toda a manhã, helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB) fizeram os translados dos corpos dos 11 engenheiros e 10 técnicos que morreram na explosão em Alcântara. Dois rabecões foram destinados exclusivamente para fazer o transporte do Centro Tático Aéreo, até o IML, onde dezenas de curiosos e jornalistas esperavam a chegada. Nenhum parente dos mortos estiveram em São Luís, segundo funcionários do IML.Mesmo assim, caso quisessem tentar o reconhecimento, seria praticamente impossível. Os 21 mortos estavam totalmente carbonizados pelo fogo de dois mil graus centígrados que tomou conta da base de lançamento, onde estava o veículo. "Encontramos uma montanha de ferro retorcido em cima dos cadáveres. Só haviam dois corpos expostos", afirmou uma médica legista que esteve no local, mas não quis se identificar.

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