Reprodução/Divulgação
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Aeronáutica fez alerta sobre área de veículo não tripulado próxima à base aérea de Santos

Local ativado para voos de drone ou Vant ficaria a 19,5 km da pista. Especialista em investigação de acidentes aéreos não descarta hipótese de que veículo tenha colidido com avião

Andreza Matais, Tânia Monteiro, Fábio Fabrini e Fábio Brandt, O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2014 | 14h19

Atualizado às 22h07

BRASÍLIA - O piloto do jato que levava Eduardo Campos foi alertado pela Aeronáutica da existência de uma área reservada para voo de Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT) nas proximidades da Base Aérea de Santos. O documento da FAB informa que, entre os dias 11 e 31, os pilotos deveriam estar atentos a este fato.

A FAB confirmou ter emitido o alerta aos pilotos sobre uma área permitida para voo dos vants “a cerca de 20 quilômetros de separação da pista de pouso do aeródromo de Santos”. A nota ressalva, no entanto, ser esta área “bem distante da possível trajetória” do jato. 

A Força Aérea, contudo, não descarta a possibilidade de haver algum vant operando no momento do acidente, assim como não descarta qualquer possibilidade que possa ter levado à queda do jato. 

Três pilotos ouvidos pelo Estado também avaliaram que a área permitida aos vants é bem distante do aeroporto, mas ponderaram que ainda não é possível descartar a hipótese de deslocamento. “Era uma área que estava ativada para vant. Não deveria se descolar, mas é claro que pode acontecer”, afirmou Rodrigo Spader, diretor de regulação do Sindicato Nacional dos Aeronautas. “Tudo é possível, mas nós não vamos trabalhar com hipóteses. Vamos aguardar a investigação.”

Especialista em investigação de acidentes aéreos, o comandante Carlos Camacho afirmou que “não se descarta a possibilidade de que um vant possa ter colidido com o avião” de Campos. “Temos de lembrar que o vant voa. Como é um objeto pequeno, se ele estava na linha pode ter contribuído para a explosão do motor”, completou. 

Camacho não arrisca a apontar a causa do acidente. Mas, com as informações disponíveis, ele considera razoável pensar que o controle dos pilotos sobre a aeronave foi afetado pouco antes ou durante o processo de arremetida. “Algo aconteceu nesses segundos que antecederam a decisão ou após essa decisão.” 

Os Comandos da Marinha e do Exército foram consultados sobre a possibilidade de terem vants voando na área. O Exército informou que a 1.ª Brigada de Infantaria Antiaérea, no Guarujá, tem vant, mas “ele não estava sendo empregado quarta-feira para treinamento”. A Marinha disse que não tem nenhum navio na região. A PF também negou que seu vant estivesse em operação no local.

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