Aeronáutica deve entrar no combate à dengue

Além do Exército e da Marinha, a Aeronáutica também deverá atuar na megaoperação de combate à dengue que começa no mês que vem em todo o Estado do Rio. O Ministério da Defesa avalia a possibilidade de usar aviões da Força Aérea para fazer o transporte de pessoal e de equipamento para a operação contra o mosquito Aedes aegypti, o transmissor do vírus da doença.A participação da Aeronáutica reforçaria a ofensiva criada pelo Ministério da Saúde para tentar controlar a epidemia de dengue no Rio. A operação ainda não tem data marcada para começar (os militares ainda precisam ser treinados), mas a intenção do ministério é colocar soldados - como ocorreu em 1998 - para atuar como agentes de saúde.Eles deverão visitar domicílios para acabar com focos do mosquito. Hoje será definido quantos militares participarão da operação. O Exército também realizará exames de dengue e a Marinha vai fornecer leitos em um de seus hospitais. Até ontem, o balanço oficial das secretarias de Saúde contabilizava 25 mil casos no Estado, sendo que mais de 10 mil foram registrados na cidade do Rio. Desde o início do ano, 14 pessoas já morreram com a doença no Estado - 11 na cidade.Além das Forças Armadas, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) também conseguiu o apoio da organização não-governamental Viva Rio, que está convocando voluntários para fazer o combate à dengue. Hoje, o governador Anthony Garotinho disse que 5 mil bombeiros também vão participar do trabalho de controle do mosquito, a partir de segunda-feira. "Nós estamos vendo que as equipes da prefeitura e do ministério não estão dando conta do trabalho e queremos colaborar", disse.Enquanto procura reforços em outras áreas para tentar barrar a epidemia do Rio, a Funasa continua sua briga com os 6 mil mata-mosquitos demitidos em 1999. A reintegração ao trabalho desses funcionários foi determinada pela Justiça, mas a Funasa resiste à decisão judicial e está recorrendo. Cerca de 200 mata-mosquitos ocupam o prédio da Funasa no Rio. Hoje, eles decidiram sair às ruas fazendo o trabalho de combate ao mosquito. "Estamos mostrando para a população que estamos prontos para trabalhar, como mandou a Justiça", afirmou Sandro de Oliveira Cézar, que lidera os mata-mosquitos.BroméliasDez mil bromélias foram retiradas de residências de Campos, no norte do Estado, para reduzir a proliferação do Aedes. A decisão foi do Centro de Controle de Zoonoses e Vigilância Ambiental do município. As bromélias estão sendo retiradas e reimplantadas em regiões de mata longe da cidade.O trabalho de retirada das bromélias foi feito por técnicos da Secretaria Municipal de Agricultura, com o objetivo de não matar as plantas. Mesmo assim, a Sociedade Brasileira de Bromélias enviou correspondência à Secretaria de Saúde de Campos protestando contra a medida. "Esses técnicos entram na casa das pessoas e retiram as plantas de forma arbitrária", afirmou Orlando Graeff, presidente da sociedade. "Nossa recomendação é que essas pessoas contratem advogados para processar o Estado porque isso é ilegal. Conversamos com um juiz e, segundo ele, não existe respaldo jurídico para a medida."

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