Aeronáutica define quem vai apurar greve dos controladores

O Comando da Aeronáutica designou o coronel-aviador Carlos Eurico Peclat dos Santos, que hoje trabalha no Estado-Maior da Aeronáutica, para ser o encarregado do Inquérito Policial Militar (IPM) que vai apurar os responsáveis pelo motim dos sargentos que pararam o tráfego aéreo no País no dia 30 de março, no Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (CINDACTA-1), em Brasília. O prazo para conclusão do IPM é de 40 dias. A instauração do IPM foi requisitada pela Procuradoria da Justiça Militar em Brasília (DF), com o propósito de apurar os crimes militares praticados. O ministro do Superior Tribunal Militar (STM), Olympio Pereira da Silva Júnior, disse que como já existem provas materiais como fotos e filmagens divulgadas pela imprensa comprovando os crimes, o Ministério Público poderia ter poupado a Aeronáutica de abrir o IPM e apressá-lo apresentando-as. Outros dois IPMs foram abertos pela Força Aérea Brasileira (FAB) em Curitiba e Recife, e um quarto inquérito IPM poderá ser instaurado ainda em Recife. Mas a Aeronáutica está atenta à qualquer movimentação dos controladores e, se eles descumprirem qualquer regra do regulamento disciplinar ou decidirem voltar a parar, receberão, imediatamente, voz de prisão e os sargentos da Defesa Aérea assumirão seus postos no controle dos aviões.Não há idéia ainda de quantos militares devam ser enquadrados. A idéia inicial da Aeronáutica era prender os 18 sargentos que estavam de plantão no horário que foi anunciada a paralisação, 18h45, do dia 30 de março. Mas há outras propostas sobre as punições a serem aplicadas. Podem ser responsabilizados os 12 mais antigos, três de cada setor, que se recusaram a se apresentar ao comandante do Cindacta, coronel Carlos Aquino; os mais novos que o desafiaram na discussão no centro; os 143, em uma contagem inicial, que teriam se amotinado; ou todos. Como o número de controladores é de cerca de 160, quase todos seriam punidos. Além disso, ao contrário do que a FAB tentou caracterizar anteriormente, desta vez, a mobilização não foi desencadeada por incentivo das lideranças, mas representava um sentimento de insatisfação generalizada. ReforçoPara este final de semana prolongado, a Aeronáutica reforçou a equipe do Cindacta convocando mais pessoas para trabalhar por causa do aumento do fluxo aéreo, estimado em torno de 30%. Em relação ao Plano B, a FAB está selecionando militares tanto na Defesa Aérea, quanto nos estados, para iniciarem, de imediato, treinamentos no Cindacta 1. A FAB poderá também trazer de volta 250 controladores que recentemente foram transferidos para a reserva em todo o País, mas que dependem de exames e de questões burocráticas para serem reintegrados.Entenda o caos da última sextaNa última sexta-feira, os controladores de vôo entraram em greve e pararam os aeroportos do País por pelo menos cinco horas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava em viagem a Washington e nomeou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para negociar com os grevistas. Além de nomear um civil para administrar o caos, Lula proibiu o Comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, de prender os controladores, o que desencadeou uma crise por quebra na hierarquia militar. Não demorou muito para o presidente recuar. Pressionado pelos militares, Lula desfez a promessa de abrir negociação salarial com os controladores e rever eventuais punições. O comando também voltou para a Aeronáutica.O presidente ainda endureceu o tom: se pararem novamente, os controladores receberão voz de prisão e os sargentos da Defesa Aérea assumirão seus postos no controle dos aviões. Acuados, os controladores já avisaram que não haverá paralisação na Semana Santa, mas ameaçam aumentar a temperatura do caos aéreo após a Páscoa.

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