Aeronáutica dá recado a FHC e ao sucessor sobre novos aviões de caça

O Comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista, usou a mensagem em comemoração ao dia do aviador para dar um recado ao presidente Fernando Henrique Cardoso, que participava da solenidade, em relação à empresa que será escolhida para fabricar o avião que substituirá os Mirages, que voam até 2005. O recado dos militares também foi dado à equipe de transição que começa a trabalhar na próxima semana com o grupo do presidente eleito.A compra do novo caça, uma das principais preocupações da Força Aérea, estará seguramente na agenda da transição, conforme disse Fernando Henrique quando anunciou que decidiria o assunto com o sucessor. A compra, no valor estimado de US$ 700 milhões, é um dos principais itens da Agenda 100 das equipes de transição.Com a exploração da compra dos novos caças na campanha eleitoral, nos programas e debates dos candidatos ? que chegaram a defender abertamente a Embraer, empresa brasileira que se associou à francesa Dassault, para fabricar o Mirage 2000 ? Fernando Henrique adiou, de agosto para o período de transição, a reunião do Conselho de Defesa Nacional, que definirá que modelo de avião será escolhido. O presidente eleito deverá participar desta reunião, quando a FAB apresentará o relatório com as vantagens e desvantagens de cada um dos cinco modelos concorrentes e apontará a escolha técnica dos militares. Fernando Henrique havia acenado aos militares com a possibilidade de reunir o Conselho de Defesa nos próximos dias para discutir não só a compra do FX, como também a de outros itens do Plano de Reequipamento da Força. Chegou a cogitar a data de 29 de outubro, mas hoje comunicou aos oficiais que esta data terá de ser adiada.Na festa do aviador, realizada na Base Aérea de Brasília, a ordem do dia assinada pelo brigadeiro Baptista, lida para todos os presentes, usou uma linguagem rebuscada e cheia de subterfúgios para falar da pressa que os militares têm com a solução para a questão. ?É, pois, com ânimo democrático que nós, os aviadores, atores do teatro de defesa, devemos aguardar, daqueles que representam o caráter social do povo, a decisão mais consistente, no que tange à aquisição de novos meios para o planejamento e a execução da defesa aérea do Brasil?, diz o texto.Na mensagem o comandante lembrou que a ?dicotomia entre o bem formar tripulações? e ?a proximidade do esgotamento dos principais vetores da FAB (referindo-se aos equipamentos aéreos) busca ser atenuada com o atual programa de fortalecimento da Força?.O relatório da Força Aérea com os dados de cada um dos cinco concorrentes para substituir os Mirages já foi apresentado ao Alto Comando e aguarda apenas a convocação do Conselho de Defesa Nacional para a assinatura dos contratos. O processo de escolha do FX se arrasta há mais de um ano, o que tem desagrado os militares da Aeronáutica.O brigadeiro Baptista já chegou até mesmo a dizer que, caso não se decida pela compra dos FX logo, as unidades militares de defesa do tráfego aéreo poderão ser fechadas por falta de equipamentos em operação.Durante todo esse período, o lobby das empresas interessadas em fornecer os caças FX tem sido intenso. Além do consórcio Embraer/Dassault, estão concorrendo os russos Sukoy, da Rosoboronexport, o Mig 29, da Rac-Mig, o representante sueco-inglês Saab-Bae Systems, Gripen, e o F-16, da empresa norte-americana Lockheed Martin. Tecnicamente a preferência da FAB é pelo Sukoy mas outros temas como compensação industrial terão peso decisivo na escolha do modelo.

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