Aeronautas protestam contra crise e salários

Dezenas de aeronautas participaram, nesta segunda-feira, de protestos nos aeroportos Santos Dumont (Rio) e Congonhas (SP) contra os baixos salários e a crise que afeta o setor da aviação.Eles ameaçam entrar em greve no dia 1º de dezembro (data-base da categoria), se as empresas rejeitarem o pedido de reajuste salarial de 20%.Salários congeladosAs companhias aéreas se recusam a atender a reivindicação e afirmam que, por causa da crise, terão que manter os salários congelados."O que estamos dizendo é que não será possível mudar o atual acordo enquanto a situação não melhorar", afirma Osvaldo Moraes, coordenador da Comissão de Relações Trabalhistas do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias.Protestos vão continuarSegundo o Sindicato Nacional dos Aeronautas, que representa cerca de 12 mil funcionários (pilotos, comissários e engenheiros de vôo) em todo o país, atos de protesto vão continuar em outras capitais.Nesta terça-feira, estão previstas manifestações em aeroportos de Porto Alegre e Recife. "Antes de convocar uma greve, queremos mostrar os problemas que afetam a aviação civil no país hoje", afirma Pedro Azambuja, secretário-geral do sindicato.Ele se refere à crise que afeta o setor desde os atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos. Segundo o sindicato das empresas, um dos problemas foi a queda na ocupação dos aviões desde setembro.Em outubro passado, o porcentual de aproveitamento dos lugares foi de 62% nos vôos internacionais, 11 pontos porcentuais a menos do que no do mesmo mês no ano passado.Dívidas com InfraeroAlém disso, a maioria das empresas acumula grandes dívidas com a Infraero (que administra 65 aeroportos no país). Segundo a assessoria de imprensa da Infraero, as empresas devedoras são a Varig (R$ 150 milhões), a Transbrasil (R$ 97 milhões) e a Vasp (R$ 386 milhões).As duas primeiras já fecharam acordo de pagamento parcelado (em cinco anos) com a Infraero, mas a Vasp ainda está negociando. Essas dívidas se referem a tarifas de embarque de passageiros e de pouso e permanência das aeronaves.Nesta segunda-feira, além de pedir aumento de salário, os manifestantes também fizeram um apelo ao governo federal para que ele "se manifeste" e auxilie as empresas."Até agora, o governo não teve uma posição sobre a crise. Ele poderia, por exemplo, rever os tributos que, no Brasil, são muito altos", afirma Azambuja.

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