ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO
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Sem citar a PGR, Aécio afirma ser vítima de 'trama ardilosa' em retorno ao Senado

No plenário do Senado, o senador mineiro defendeu o apoio do PSDB ao governo do presidente Michel Temer

Julia Lindner e Thiago Faria, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2017 | 13h46

Após 46 dias fora do Congresso Nacional, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) fez seu primeiro discurso nesta terça-feira, 4. Em sua defesa, o tucano não fez citação ao procurador-geral da Republica, Rodrigo Janot, mas afirmou ser vítima de uma "trama ardilosa" e que seus familiares foram usados como “massa de manobra” por pessoas com “ausência de caráter”. No plenário do Senado, ele defendeu ainda que o PSDB mantenha o apoio ao governo do presidente Michel Temer que, "apesar das adversidades, continua a liderar" as reformas em discussão no Congresso.

"Retorno com o firme propósito de continuar trabalhando para permitir que o Brasil possa superar suas enormes dificuldades", afirmou Aécio, lembrando que ele, na condição de presidente do partido, condicinou o apoio ao governo à pauta das reformas trabalhista e da Previdência.

Ao tratar das acusações, Aécio voltou a negar ter cometido qualquer irregularidade ao pedir R$ 2 milhões a Joesley Batista, da JBS. A conversa foi gravada pelo empresário, que mais tarde firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.O senador afirmou tratar-se de um "negócio entre particulares" e o dinheiro, que seria emprestado, serviria para pagar gastos com advogados. "Não cometi crime algum. Não aceitei recurso de origem ilícita, nao prometi vantagem indevida a quem quer que seja", disse Aécio. "Fui vítima de uma armação, de um bandido confesso."

O tucano também criticou a divulgação de conversas suas em que pede ajuda ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para aprovar a lei de abuso de autoridade e também na que critica o então ministro da Justiça, Osmar Serraglio. "No dia em que nao pudermos mais o direito ao contraditório, teríamos perdido o essencial: a liberdade que cada um tem de exercer sua opinião."

Antes de Aécio discursar, uma situação inusitada causou embaraço entre os senadores no plenário. A sessão era comandada pelo senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), que tocou a campainha para que Aécio começasse a falar. A campainha, então, disparou por cerca de cinco minutos. Aécio, que já estava a postos na tribuna, desceu e esperou até que o problema fosse resolvido.

Histórico. O tucano esteve afastado por determinação do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 18 de maio, após ser acusado de corrupção passiva e obstrução de Justiça. Já no dia 30 deste mês, o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, determinou o restabelecimento da situação jurídico-parlamentar.

O senador mineiro foi denunciado ao STF pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no dia 2 deste mês, com base na delação dos empresários do Grupo J&F. O tucano é acusado de corrupção passiva pelo suposto recebimento de R$ 2 milhões em propina da JBS e por obstrução da Justiça por tentar impedir os avanços da Operação Lava Jato. Janot também pediu a abertura de um novo inquérito para investigar o crime de lavagem de dinheiro. No total, Aécio responde a nove inquéritos, além desse último pedido: cinco ligados às delações da Odebrecht, dois ligados aos delatores da JBS, e outros dois sobre o esquema de corrupção em Furnas e outro de suspeita de intervenção durante a CPI dos Correios, em 2005.

Antes do discurso, o senador participou de reunião da bancada com o presidente interino do partido, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Embora correntes do partido ligadas aos deputados e aos tucanos de São Paulo defendam seu afastamento definitivo da presidência do partido, Aécio quer ganhar tempo até passar a votação do recurso pedindo a cassação de seu mandato no Conselho de Ética do Senado, e a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer, na Câmara, para que a decisão seja tomada. 

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