Aécio volta a defender prévias para 2010

Governador diz que é hora de o partido quebrar ''tradição'' de não promover consultas internas

Julia Duailibi, O Estadao de S.Paulo

05 de fevereiro de 2009 | 00h00

O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), insistiu ontem na realização das prévias tucanas para definir o nome do partido que disputará a Presidência da República em 2010 e disse já estar na hora de o partido quebrar a "tradição" de não promover consultas internas. Questionado sobre o levantamento publicado ontem pelo Estado, que mostra a tendência dos diretórios regionais de apoiar as primárias do partido, o governador afirmou: "O PSDB deve democratizar suas decisões, ampliá-las." E completou: "Eu leio sempre que isso não é uma tradição do partido. Perdemos as duas eleições presidenciais. Quem sabe não seja a hora de mudar, de alterarmos essa tradição do partido, das escolhas feitas por um número restrito de pessoas, para que possamos mudar também o resultado das eleições." Após cerimônia no Palácio da Liberdade, sede do Executivo mineiro, Aécio disse esperar que o partido crie as regras das prévias até março. Frisou ainda a intenção de viajar o Brasil para expor "três ou quatro propostas" para o País e destacou ter "inúmeros convites" para isso.Aécio comentou a pesquisa CNT/Sensus divulgada na terça-feira, na qual aparece com menos intenção de voto que o governador paulista, José Serra, o preferido da cúpula tucana para concorrer ao Planalto. Disse que "o companheiro governador José Serra" tem uma "liderança mais sólida" em razão da exposição que ganhou durante outras eleições - Serra disputou a Presidência em 2002. "Mas quero dizer que me sinto extremamente confortável de, mesmo sem ter disputado qualquer eleição nacional, sem estar presente inclusive na mídia nacional, ter um resultado tão sólido e expressivo como esse." PMDB E LULAApós tecer elogios ao PMDB, o governador mineiro anunciou que irá amanhã a Brasília se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "2010 viveremos em 2010", disse Aécio, embora o encontro dos dois sirva ao projeto político do mineiro, pois ajuda a propagar uma imagem de político conciliador - o tucano tem boa relação com Lula.De seu lado, Serra, que está em férias esta semana, também tem ensaiado uma aproximação maior com o presidente. Em novembro, por exemplo, foi recebido por Lula em seu gabinete no Palácio do Planalto. Lula e Aécio deverão tratar, oficialmente, da crise econômica mundial e dos reflexos dela no Brasil. Há expectativa de que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) participe da reunião, a fim de expor o encaminhamento dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Minas. Aécio, que já recebeu convites para ir para o PMDB, pelo qual poderia disputar a Presidência, disse que o partido é "fundamental à governabilidade, talvez até mesmo à eleição". "Tenho muito respeito pelos companheiros do PMDB e digo, de forma muito clara, que não se governa hoje o Brasil sem a presença do PMDB", afirmou.O governador mineiro também foi elogioso ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), com quem Serra não tem boa relação. "Tenho um enorme respeito pessoal pelo presidente Sarney e espero que ele faça, como acredito que fará, uma gestão independente, altiva, que fortaleça o Poder Legislativo." Aécio disse não se incomodar com o fato de o PMDB controlar as duas Casas do Congresso. "O que se fez valer ali foi exatamente o respeito à posição da bancada majoritária."DESENVOLVIMENTOAécio anunciou ontem seu novo secretário de Desenvolvimento, Sérgio Barroso. Há cerca de 15 dias, foi justamente a nomeação do secretário de Desenvolvimento paulista, Geraldo Alckmin, que criou reação inflamada entre os aliados do mineiro. Para eles, o convite de Serra foi uma cartada para minar o principal apoio que Aécio tinha no Estado na disputa de 2010.

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