Aécio vê ''''terrorismo'''' em lista de CPMF para Estados

Tucano também acha corte inaceitável e diz que governo é o culpado pelo fim das negociações com o PSDB, pois apresentou proposta muito tímida

Eduardo Kattah e Christiane Samarco, BELO HORIZONTE, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), classificou ontem de "terrorismo" o levantamento do Ministério da Fazenda sobre os recursos que os Estados deixariam de receber em investimentos se a CPMF não for prorrogada. "Na verdade é um certo terrorismo, que nós temos que considerar que é até natural em negociações tensas como essas", disse o tucano em entrevista à rádio CBN, em Belo Horizonte.Segundo o estudo, Minas deixaria de receber R$ 1,61 bilhão em 2008. Aécio endossou a reação do governador paulista, José Serra (PSDB), que na quinta-feira considerou "inaceitável" o eventual corte de repasses.Mais tarde, num evento na Fundação Dom Cabral, em Nova Lima, Aécio descartou qualquer possibilidade de uma proposta dos governadores ser levada ao Planalto. "Eu acho que agora não é mais tempo disso."Ele repetiu que a discussão está nas mãos da bancada tucana no Senado, mas afirmou que se dispõe a discutir se o governo apresentar uma proposta "consistente", que leve à redução da carga tributária e à distribuição de receitas com Estados e municípios. "Mas até agora, o que nós assistimos é a um grande equívoco, porque o governo apresenta uma proposta que mantém integral a CPMF e, ao mesmo tempo, ainda retira recursos dos Estados e municípios com a desoneração do Imposto de Renda. Eu disse ao presidente Lula que a proposta, na forma como foi apresentada e no conteúdo, dificultou as coisas imensamente no PSDB."Lula conversou com Aécio na quarta-feira, quando esteve em Belo Horizonte. O governador contou ontem que avisou que o governo vai ter de ser "ousado" nas propostas para convencer o PSDB a retomar o diálogo sobre a CPMF. "A bola está com o governo e caberá à equipe econômica apresentar algo extremamente expressivo em desoneração da carga tributária", disse. "O governo vai ter que ousar, para que se justifique uma revisão por parte do PSDB. Se nada vier, a bancada ficará contra a CPMF no Senado."Os governadores do PSDB estão trabalhando para que seu partido não feche questão contra a CPMF. A idéia é adiar ao máximo a reunião da Executiva Nacional e, assim, dar mais tempo ao governo para apresentar uma nova proposta que permita reabrir a negociação.Mas os tucanos avaliam que o próprio governo dificultou o recuo do partido, por ter sido tímido em sua oferta de acordo. "A proposta da Fazenda foi muito decepcionante, sobretudo para nós que nos dispusemos a negociar", insistiu Aécio.Um tucano que acompanhou sua conversa com Lula disse que os dois criticaram a condução das negociações, que expôs publicamente os interlocutores do PSDB. O presidente não soube explicar porque o deputado Antonio Palocci (PT-SP) propôs reduzir a alíquota da CPMF e depois a oferta foi retirada sem explicação. Aécio lembrou o conselho do avô Tancredo Neves, que recomendava reuniões para fotografias só depois do acerto fechado nos bastidores."Ficou mais difícil. O governo terá de apresentar uma proposta mais consistente do que poderia ter levado ao partido na primeira tentativa de acordo", avaliou. "Também acho tímido o aporte de R$ 4 bilhões para os Estados e municípios." Para ele, a União deve ampliar a primeira parcela dos R$ 24 bilhões de investimentos em saúde pública, decorrentes da negociação em torno da Emenda 29.Um dirigente tucano contou que torce pelo acordo, mas duvida que seja possível, por maior que seja o peso dos seis governadores do PSDB, especialmente de Aécio e Serra, que são as alternativas para suceder Lula em 2010. Ele disse que nos bastidores dirigentes comemoraram a "incompetência" do governo, que livrou o partido de um racha na negociação.

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