Aécio vai a Lula a 3 dias da eleição

Briga na capital mineira está acirrada e governador tenta conquistar votos de petistas rebeldes para Lacerda

Leonencio Nossa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

24 de outubro de 2008 | 00h00

Satisfeito com a arrancada de seu candidato à Prefeitura de Belo Horizonte, o governador de Minas, Aécio Neves, executou ontem um movimento para atrair votos de eleitores petistas ainda indecisos para Márcio Lacerda (PSB), apoiado pela cúpula estadual do PSDB e do PT. Aécio foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Planalto, num encontro não previsto inicialmente na agenda presidencial, mas que teve ampla cobertura da mídia mineira. Setores do PT em Minas resistem a apoiar Lacerda."É uma eleição que ainda está sendo disputada. Não é uma eleição vencida. Estamos nos dedicando, nesta reta final, a mostrar as diferenças entre as propostas", afirmou. Depois de perder a liderança para o peemedebista Leonardo Quintão, Lacerda voltou a superá-lo nas intenções de voto, segundo pesquisa do Ibope encomendada pelo Estado e pela Rede Globo.Aécio voltou a negar que tenha exercido influência na convenção do PMDB para que lançasse a candidatura de Quintão, ampliando o número de concorrentes e diluindo os votos dos adversários de Lacerda. "Ao contrário, quem conhece um pouco a política mineira sabe que o grupo que está próximo dele (Quintão) é o mesmo que eu derrotei duas vezes em Minas", disse.O governador defendeu a parceria política com o prefeito Fernando Pimentel (PT), que dividiu os petistas mineiros. "Tanto eu quanto o prefeito fizemos um gesto de generosidade em apoiar um candidato que não é do nosso partido", disse. E voltou a defender uma relação mais amistosa entre petistas e tucanos em nível nacional. "Em Belo Horizonte, nossa tentativa é exatamente a proposta de que o PSDB e o PT não precisam ser inimigos pelo resto da vida", disse. "Eu temo muito que estejamos em 2010 reeditando o cenário de radicalização política que vivemos em 1994, 1998, 2002 e 2006." IBOPEEm Belo Horizonte, enquanto Márcio Lacerda comemorou a nova reviravolta no Ibope, Quintão procurou desqualificar o resultado em que perdeu 18 pontos porcentuais em uma semana. O quadro já era esperado pelas duas campanhas, que fazem levantamentos próprios diários. "Estamos muito otimistas porque os resultados dos números de ontem (anteontem) estão mostrando um crescimento contínuo de nossa vantagem sobre ele", disse o Lacerda. "Se continuarmos nessa taxa de 2 pontos porcentuais por dia, que vem acontecendo desde o início do segundo turno, a vitória certamente será nossa."O candidato do PMDB, por sua vez, procurou minimizar o resultado. "Não é pesquisa que vota. Quem vota é gente", afirmou. "Estou bastante tranqüilo. A pesquisa que eu tenho é bem diferente dessa. Nós vamos para a eleição, porque a eleição não está decidida." COLABOROU EDUARDO KATTAH

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.