Aécio usa jogo do Brasil para articular aliança ampla em BH

Nem o empate sem gols entreBrasil e Argentina, nem a estrondosa vaia de 57 mil torcedoresno Mineirão, no jogo de quarta-feira, foram suficientes parainterromper as articulações do governador Aécio Neves (PSDB)por uma ampla coalizão na eleição municipal de Belo Horizonte. Aécio conseguiu reunir em seu camarote no estádio ovice-presidente, José Alencar, o ministro dos Esportes, OrlandoSilva, o deputado federal Ciro Gomes e seu irmão Cid Gomes,governador do Ceará, e outros nove governadores, além desenadores, deputados federais e estaduais. A reunião era quase a concretização dos planos dogovernador e do prefeito Fernando Pimentel (PT) de fazer umaaliança entre partidos de correntes distintas em torno dacandidatura de Márcio Lacerda (PSB) para as eleições deoutubro. No camarote estavam políticos das mais variadas legendas eideologias, desde lideranças tucanas, como os senadores ArthurVirgílio (AM) e Eduardo Azeredo (MG), até políticos de oposiçãoao partido de Aécio, como os governadores petistas JaquesWagner (BA) e Wellington Dias (PI) e o senador Delcídio Amaral(PT-MS). Wellington Dias, por sinal, é um dos integrantes dodiretório nacional do PT, que decidiu não permitir a aliança dopartido com os tucanos em Belo Horizonte. Mas os partidários dacoligação acreditam que o encontro no jogo possa ter sidodecisivo para consolidar o projeto. "O prato principal do banquete foi a aliança em BH", afirmao deputado estadual Durval Ângelo (PT), um dos partidários doacordo. "A tensão por causa da coligação já havia diminuído,mas todos que estávamos lá saímos com a certeza de que ele vaiocorrer", acrescentou outro parlamentar mineiro, presente nocamarote, que pediu para não ser identificado "para nãoprejudicar as conversas". Ele salienta que, além de fortalecer a tese da coligação, aconversa entre caciques de diversos partidos no camarote tambémfacilitou o entendimento para a participação de outras legendasna aliança. Um dos presentes era justamente o governador de Pernambuco,Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, partido queencabeça a chapa e que, segundo Aécio, vai dirigir a políticade alianças para as eleições. "Agora, a situação ficou mais favorável à participação deoutros partidos", acrescentou o parlamentar mineiro.(Reportagem de Marcelo Portela)

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