Aécio também quer antecipar escolha no PSDB

Em Brasília, governador endossa FHC e volta a insistir em prévias para definir candidato à Presidência em 2010

Christiane Samarco e Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

12 de fevereiro de 2009 | 00h00

Embalado pelo alerta ao PSDB feito pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador de Minas, Aécio Neves, desembarcou ontem em Brasília para cortejar o PMDB e defender a antecipação da escolha do candidato tucano à Presidência. "Era muito importante que regulamentássemos as prévias até o final de março, para que tivéssemos essas prévias realizadas no final deste ano ou no máximo no primeiro mês do próximo ano, o que seria uma antecipação", declarou. Para FHC, o PT já está em campanha e o PSDB precisa se decidir rapidamente.Em duelo com o governador de São Paulo, José Serra, pela candidatura em 2010, Aécio destacou que a escolha oficial se dá no período das convenções, no final de junho do ano eleitoral. Para ele, essa é uma demora desnecessária. Aécio só não abre mão, porém, das prévias - tecla na qual tem batido em todas as entrevistas recentes. "Se houver uma outra solução tão democrática quanto esta, que possibilite uma antecipação ainda maior, eu estou pronto para ouvi-la.""Eu reconheço que as prévias não são uma tradição do PSDB. Mas a tradição das escolhas - e eu me incluo entre aqueles que participaram - nos levou a duas derrotas consecutivas nas duas últimas eleições", frisou.Ao inaugurar uma escola técnica em São Paulo ontem, Serra evitou comentar as declarações de FHC. "Não vou falar de política, porque vai roubar o lide daqui", disse. Desde que o ex-governador Geraldo Alckmin foi nomeado seu secretário de Desenvolvimento, Serra tem usado a mesma resposta quando indagado sobre prévias e prazo para definir a candidatura.ENCONTROSEm Brasília, Aécio teve encontros e conversas reservados com a cúpula tucana e do PMDB. Como Serra lidera com folga as pesquisas, os interlocutores de Aécio no PMDB torcem para que ele consiga antecipar as prévias para setembro, no máximo. A expectativa é de que, no caso de uma derrota, o mineiro tenha a alternativa de trocar de legenda e voltar ao PMDB a tempo de registrar a candidatura presidencial. Recepcionado por petistas, como os deputados Walter Pinheiro (BA) e Virgílio Guimarães (MG), e até por tucanos simpáticos a Serra, como o deputado Jutahy Júnior (BA), Aécio iniciou o périplo no Congresso pelo gabinete de um afilhado político, o deputado Rafael Guerra (PSDB-MG). Depois cortejou as duas alas do PMDB, visitando o presidente da Câmara, Michel Temer (SP), e o presidente do Senado, José Sarney (AP), líder anti-Serra."Nossos laços de amizade são eternos", disse o governador ao presidente do Senado. Sarney declarou o quanto se sentia "honrado" com a visita. Oficialmente, os dois disseram só ter conversado sobre medidas provisórias e as reformas tributária e política. O diálogo informal sobre a candidatura - que também agrada ao senador Sarney, sobretudo na hipótese de Aécio se filiar ao PMDB -, ficou restrito ao almoço mais íntimo, que o senador ofereceu ao governador tucano.

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