Aécio: sucessão em MG se tornou eleição plebiscitária

A exemplo da disputa presidencial, a sucessão estadual em Minas Gerais se tornou uma eleição plebiscitária, conforme avaliou o ex-governador Aécio Neves (PSDB). Após um jantar realizado na noite de ontem oferecido por profissionais do setor cultural em apoio ao governador tucano Antonio Anastasia, candidato à reeleição, Aécio evitou rebater as críticas feitas à gestão do PSDB no Estado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o ex-governador, a decisão do eleitor, seja no plano federal ou estadual, se dará pela continuidade ou não dos projetos em vigor.

EDUARDO KATTAH, Agência Estado

09 de setembro de 2010 | 16h51

"Eu pelo menos propunha que não houvesse isso, que fosse uma outra construção política, mas o que ocorreu a nível nacional e a nível estadual é exatamente isso, virou eleição plebiscitária e os mineiros estão optando majoritariamente, de forma crescente, pela continuidade e pelos avanços do atual projeto", afirmou. "Preferiria que tivéssemos outras opções, mas hoje o que existe é uma eleição plebiscitária, e vamos vencê-la", disse Aécio, candidato ao Senado.

Diante do crescimento de Anastasia nas intenções de voto, a campanha de Hélio Costa (PMDB) tenta nacionalizar a disputa, pregando o alinhamento político entre Estado e governo federal e apostando em Lula como cabo eleitoral. Ontem à noite, em um comício realizado em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, Lula deixou de lado a polêmica envolvendo a violação de dados fiscais de pessoas ligadas ao PSDB e mirou seus ataques na gestão tucana em Minas.

Saúde

O presidente sugeriu ao candidato peemedebista que nos próximos debates destaque os investimentos federais no Estado e acusou o governo mineiro de não investir o porcentual mínimo (12%) exigido na saúde conforme a Emenda 29. Disse que o Estado colocava apenas 6%.

Hoje, Anastasia, mesmo evitando qualquer confronto com Lula, rebateu a declaração. A administração estadual, com base numa instrução normativa (11/2003) do Tribunal de Contas do Estado (TCE) - que considera outras despesas com ações e serviços públicos de saúde -, alega que investe mais 12% do orçamento na área.

"Já é um assunto antigo. Enquanto não for regulamentada a Emenda Constitucional 29, que tem de ser regulamentada pelo Congresso Nacional, e naturalmente com a participação do próprio governo federal, que tem a maioria nas duas Casas, nós devemos ter sempre respeito às decisões dos Tribunais de Contas de cada Estado", afirmou o governador, para quem talvez o presidente tenha recebido algum dado "equivocado".

"Aplicamos de maneira extremamente adequada. Tanto é assim que as nossas contas são aprovadas pelo Tribunal de Contas e nós temos o aval do próprio governo federal para os empréstimos" , afirmou o candidato tucano à reeleição. Aécio minimizou as críticas de Lula, atribuindo-as ao período eleitoral. "Agora é momento de campanha, é natural que em uma campanha possa haver alguns rompantes aqui ou acolá."

Plano de governo

Anastasia lançou hoje seu plano de governo com propostas e metas para o período de 2011 a 2014. O documento inclui 365 compromissos para melhorar a qualidade de vida, aumentar a renda da população e incrementar os indicadores sociais do Estado.

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