Aécio: ''''Somos ruins de comunicação''''

Governador de Minas reconhece que o PSDB precisa ter humildade e aprender com o PT a falar ao povo

Carlos Marchi, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2016 | 00h00

O governador de Minas, Aécio Neves, reconheceu ontem que o PSDB tem dificuldades para se comunicar com o eleitorado: "Nós somos muito ruins de comunicação, mesmo", afirmou ele em São Paulo. E fez uma blague com a incapacidade do partido de falar a língua do povo: "Acho que se fizermos uma pesquisa - digo isso com muita sinceridade, pode parecer até uma brincadeira, mas não é - perguntando quem é responsável pela estabilidade da economia, acho que a população vai dizer que é o presidente Lula", ironizou. "O PT é competente nisso (a comunicação com o povo)", admitiu, aconselhando humildade ao PSDB. "Devemos aprender com eles, não no sentido de viver apenas de propaganda, mas transformando as ações do partido em ativos." O governador disse que o PSDB ganhará se souber se comunicar melhor com a população, "porque os tucanos fazem melhor a gestão pública do que o governo do PT".Aécio disse que os seminários internos do partido estão promovendo "uma catarse" que, segundo ele, será positiva para o PSDB e para o País. A tal catarse levará o partido a compreender que tem de construir um projeto de País voltado, principalmente, para a diminuição das desigualdades. "E nós não vamos construir isso sozinhos, temos de juntar outros agentes", recomendou, preconizando alianças para as futuras eleições.?NOVAS CONSTRUÇÕES?Mas alertou que a construção dessa aliança deve procurar parceiros que pensem parecido com os tucanos. "Fazer alianças com disparidade de pensamento entre os parceiros acaba dando num projeto parecido com a base parlamentar do presidente Lula", disse. O PSDB não pode acreditar que sua ascensão se dará "pelo fracasso do outro" (o PT), insistiu. Mas enigmaticamente preveniu: "Podem surgir por aí novas construções."Aécio defendeu que o PSDB continue a apresentar-se ao eleitorado brasileiro como um bom gestor público. "A gestão eficiente pode se transformar em benefícios palpáveis para as pessoas, porque você utiliza melhor os recursos públicos e atrai o setor privado para os investimentos", propôs, acentuando: "Acho que está ficando cada vez mais claro esse diferencial entre a nossa forma de governar e a concepção de administração pública do PT, que se limita a inchar cada vez mais a máquina, fazendo com que ela cresça mais do que cresce a economia."LUZ AMARELAAécio voltou a afirmar que o Brasil está perdendo a chance de crescer. "O céu de brigadeiro não é eterno", disse ele, alertando que os indicadores de uma crise econômica que pode se transformar em sistêmica é uma luz amarela que se acende para o País. Ele disse que o governo Lula continua com popularidade alta, "mas não tem avançado nas medidas e reformas estruturadoras que seriam absolutamente necessárias".Ele cobrou que o governo Lula precisa dividir tributos com Estados e municípios, desconcentrando o crescente acúmulo de receitas que ficam sob seu controle. "O Brasil vive uma linha perversa de concentração de receitas nas mãos da União e que precisa ser interrompida, em benefício da federação, dos Estados e dos municípios", disse. O tucano salientou que os Estados e municípios "podem fazer melhor aquilo que a União vem buscando fazer de forma ineficiente". Segundo ele, a descentralização deve ser adotada pelo governo federal como a saída mais lógica para a gestão pública.

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