Aécio segue FHC e critica apoio a Chinaglia na Câmara

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não foi a única grande figura do PSDB que discordou do apoio antecipado da bancada federal do partido ao deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). Dos EUA, onde está em férias, o governador Aécio Neves (MG) criticou a forma como foi articulado o apoio para apoiar Chinaglia e a rotulou de inoportuna e malconduzida. Aécio comentou com amigos, por telefone, que o PSDB poderia perfeitamente esperar que o governo Lula se definisse por um candidato para só então se posicionar. Assim mesmo, a decisão final só poderia ser tomada em uma reunião da nova bancada tucana na Câmara - e não em uma declaração pública do líder atual, a menos de 50 dias de entregar o cargo a seu sucessor, e depois de uma mal explicada consulta à bancada. No partido, ninguém tem dúvidas: Jutahy Júnior não faz nada sem consultar o governador José Serra, repetem. Mas Aécio tem em Minas uma situação bem mais folgada que a de Serra em São Paulo. Na Assembléia, tem apoio de 61 dos 76 deputados, enquanto Serra tem apenas 44 em 94 deputados e precisará construir uma maioria com outros partidos, como o PMDB, PDT ou PP. O gesto de Jutahy, segundo esses tucanos, encaminhava uma ajuda para Serra conquistar o compromisso do PT de não perturbar a eleição da Mesa da Assembléia. Um importante líder tucano comentou na segunda-feira que os problemas recentes aconteceram porque a direção do partido já não corresponde à nova realidade que emergiu das eleições de 2006. O atual presidente, senador Tasso Jereissati (CE), foi fragorosamente derrotado em seu Estado e, não obstante, indicou dois secretários do novo governo de Cid Gomes, irmão de Ciro Gomes, arquiinimigo de importantes líderes tucanos. No PSDB-CE, uma barca está partindo para o PTB. Perfil O secretário-geral do PSDB, deputado Eduardo Paes (RJ), sem cargo a partir de fevereiro, aceitou uma secretaria inexpressiva do governo Sérgio Cabral Filho (RJ), do PMDB. Para importantes líderes tucanos, "o partido está sem face", isto é, a direção não representa o novo perfil que emergiu das eleições gerais de 2006. Por tudo isso, uma reunião da Executiva nacional, agora, será meramente formal e não terá força política para impor uma decisão, admitem as principais figuras do PSDB. Tucanos de todos os matizes e regiões reconhecem que o novo perfil deverá ser grandemente influenciado pelos governadores José Serra e Aécio Neves. Os dois já dividiram fraternalmente os dois mais importantes cargos do partido na Câmara: Serra indicou Antonio Carlos Pannunzio (SP) para ser o futuro líder e Aécio designou Nárcio Rodrigues (MG) para ser o futuro 1º vice-presidente da Casa, vaga que deverá caber ao PSDB na Mesa da Câmara. Agora, Aécio está tramando uma dobradinha semelhante para assumir a direção do partido a partir de novembro: o ex-governador Geraldo Alckmin (SP) para presidente e o deputado Bonifácio de Andrada (MG) para secretário-geral. A solução soa como natural porque Serra, depois da derrota em 2002, ocupou o mesmo cargo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.