Aécio reúne Lula e dez governadores em Minas

Governador mineiro reforça laço com NE em ato de lançamento de Zonas de Processamento e Exportação

Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

04 de abril de 2009 | 00h00

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, vai usar a reunião do Conselho Deliberativo da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), marcada para amanhã, em Montes Claros (MG), como mais uma vitrine para se apresentar aos partidos governistas e de oposição como a alternativa que mais agrega apoios fora do PSDB. Não bastasse a presença de mais 10 governadores (os nove do Nordeste e o do Espírito Santo) que juntos representam 40% do eleitorado nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também resolveu prestigiar o anfitrião Aécio: transferiu para lá o ato de assinatura do decreto que regulamenta as Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs). Será uma solenidade pomposa, para a qual Lula fez questão de convidar o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), criador do programa das ZPEs duas décadas atrás, quando esteve à frente da Presidência da República. Mas a presença do senador tem significado político duplo, pois as ZPEs foram ignoradas durante os oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso. O programa ainda esbarrou sempre na oposição do governador de São Paulo, José Serra. Assim como Lula vê em Serra seu maior adversário na sucessão de 2010, Sarney o mantém na lista dos grandes desafetos. Bem diferente de Aécio, que quer disputar com Serra as prévias tucanas, na condição de candidato pós-Lula, e não anti-Lula.Empenhado em fortalecer o governador mineiro na disputa interna pela candidatura presidencial tucana, o PSDB local exultou com o "upgrade" que a participação do presidente Lula vai conferir à primeira reunião do conselho deliberativo da Sudene em 2009. A avaliação predominante entre os tucanos de Minas é que o encontro terá forte viés eleitoral e que, por isso mesmo, Aécio deve aproveitar a oportunidade para fortalecer e exibir seus laços com o Nordeste, que reage à hegemonia paulista."O evento acabou crescendo com a participação de Lula e Sarney", disse o deputado Rodrigo de Castro (MG). Com a cautela devida a um mineiro que ocupa o posto de secretário-geral do PSDB nacional, Castro pondera que, mesmo sendo um ato administrativo, a reunião acaba ganhando conotação política. "A presença deles gera grande expectativa na classe política, não só pelo peso que ambos têm, como pelo momento político de calendário eleitoral antecipado", pondera Castro. Nesse cenário, o deputado afirma não ter dúvida de que o ato de Montes Claros "reforça o potencial de articulação nacional que Aécio tem".Preocupado em manter sua condição de árbitro na briga tucana pela vaga de candidato do partido na corrida sucessória de 2010, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), também enxerga um "viés eleitoral" na presença de Lula em Montes Claros. "O presidente faria melhor se focasse na campanha da candidata dele (a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff), que está mal das pernas", criticou Guerra, para emendar: "Esse tipo de ação política enviesada para dividir o PSDB não cola".Para Guerra, essa articulação de Lula em Minas está atrasada. "Ele deveria ter usado sua influência em Belo Horizonte, nas eleições municipais." A direção nacional tucana não se conforma com o tratamento dispensado pelo PT mineiro aos tucanos. "Nós apoiamos o Fernando Pimentel para a Prefeitura de Belo Horizonte e o partido do Lula não aceitou nem que o PSDB participasse da coligação para eleger o prefeito Márcio Lacerda (PSB), compondo chapa com o PT no posto de vice", recorda. Maior incentivador do retorno de Aécio ao partido para ser o candidato peemedebista ao Planalto, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), também foi convidado para a reunião da Sudene. O deputado diz que não poderia faltar ao ato de assinatura da criação das ZPEs porque está empenhado nisso desde o governo Sarney e foi o relator da proposta que tratou deste assunto na Câmara.

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