Aécio resiste a mudança na cúpula do PSDB

Senador afastado tenta evitar troca de comando na sigla defendida por Alckmin

Renan Truffi e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2017 | 19h55

BRASÍLIA - Alvo de nove inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Aécio Neves (MG) e seu grupo político tentam resistir a um processo de renovação da Executiva Nacional do PSDB. Presidente afastado da legenda, o mineiro já avisou que não pretende renunciar. Seus aliados também buscam postergar a troca de comandos na direção partidária para que ele se mantenha no cargo.

"O Tasso (Jereissati, presidente interino do PSDB) tem a confiança de todo o partido. Interino ou não, a autoridade dele é a mesma. Não sei por que querem colocar isso (eleição de uma nova Executiva) como prioridade neste momento, não há razão. É uma forma indireta de querer ficar provocando o senador Aécio Neves", acusou o presidente estadual do PSDB em Minas Gerais, deputado Domingos Sávio, um dos principais aliados do senador.

Estado/Broadcast apurou que a resistência mineira foi o fator responsável pelo adiamento da última reunião da Executiva, marcada para ocorrer na quarta-feira, 21. O encontro serviria, justamente, para que os tucanos sacramentassem uma antecipação da convenção nacional do partido, com o objetivo de eleger Tasso de forma definitiva.

O que tem causado discórdia, no entanto, é a proposta de renovação de toda a composição da Executiva Nacional, e não apenas de seu presidente. Isso porque estão muito avançadas as articulações para que essa convenção seja realizada entre agosto e setembro deste ano, em vez de maio do ano que vem, como estava inicialmente prevista antes da delação da JBS.

A estratégia dos paulistas é tirar o senador mineiro do foco político, fortemente atingido pela delação, e evitar que isso respingue na imagem do partido para as eleições de 2018. O grupo do governador Geraldo Alckmin (SP) apresentou uma proposta para que a Executiva ganhe representantes dos governadores e prefeitos do partido. O que está por trás disso é uma tentativa do tucano de ampliar sua influência no comando partidário. O governador se sente mal representado na Executiva, segundo fontes. Atualmente ele tem como único aliado na gestão partidária o secretário-geral da sigla, deputado federal Silvio Torres (SP).

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), também concorda com a renovação antecipada e ampliada para todas as instâncias partidárias. "Considero a ideia correta e democrática. A Executiva do partido deve reproduzir sua força legislativa e executiva", disse à reportagem. O representante dos prefeitos seria Doria e, dos governadores, o tucano Marconi Perillo (GO), também aliado de Alckmin.

Para Aécio, o problema é que, se as mudanças de fato ocorrerem, ele corre o risco de perder uma de suas principais fontes de poder no PSDB: o tesoureiro e deputado federal Rodrigo de Castro (MG), responsável pelo caixa financeiro da legenda. Castro é aliado de longa data do senador, tendo sido seu chefe de gabinete durante os mandatos de governador em Minas Gerais.

RENÚNCIA

Em meio às disputas entre os dois caciques, os "cabeças pretas" e o vice-presidente do PSDB Alberto Goldman (SP) fazem coro interno para que Aécio renuncie à presidência do partido o mais rápido possível, como forma de mostrar diferença em relação ao PT.

Mas os mineiros sobem o tom frente a esse assunto. "(Os pedidos de renúncia) não têm o mínimo de respeito aos valores de lealdade partidária. Falta até escrúpulos, mas não vou pegar pesado. O senador Aécio Neves ainda está na fase de apresentar sua defesa. Isso vem de uma voz isolada, que não tem voto, não tem expressão e está querendo aparecer ou prejudicar o PSDB", rebate Domingos Sávio. 

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